Green Future-AutoMagazine

HS, O ANTI-CASPA EUROPEU

Desta vez, vamos começar pelo fim. O EHS é um excelente produto e, com um verdadeiro “preço canhão”, tem tudo para tê-lo em consideração. Reforço: atenção, deve mesmo considerá-lo. O EHS tem tudo para ser um sucesso para a marca do grupo SAIC.

Este modelo foi lançado em 2018, na China, e só chegou à Europa em 2019/2020, razão pela qual não se veem muitos HS de primeira geração. Mas nesta segunda geração tudo mudou. A geração que testámos foi lançada em 2024, no mítico festival britânico Goodwood. Temos agora um design mais europeu do que asiático e um preço… a concorrência que se cuide.

A gama começa nos 29 mil euros para a versão a gasolina e, no caso do nosso convidado, nos 35 mil euros, já que se trata de um plug-in hybrid. E aqui está um dos grandes trunfos deste MG: os benefícios para quem tem uma empresa. Ainda assim, mesmo para particulares, este SUV é uma proposta muito realista para a atual situação económica que vivemos.

A MG sempre foi uma marca conhecida dos europeus, mas durante cerca de 13 anos esteve fora dos seus radares. Comprada por um grupo chinês em 2007, só em 2020 voltou a marcar presença no nosso mercado. Hoje, isso mudou: é uma marca com um line-up variado, propostas muito interessantes e preços apelativos. Se no início houve alguma dificuldade em afirmar-se no mercado europeu, agora já faz parte dele.

Quando fui buscar o EHS, confesso que estava expectante. Uns meses antes, tinha testado um ZS híbrido que, apesar de algumas máculas (sobretudo na caixa e na harmonia do grupo propulsor), se revelava uma opção interessante. O ZS acabou por reforçar essa boa impressão e deixou-me com uma “pulga atrás da orelha”. Assim, quando fui buscar este companheiro de fim de semana, as expectativas eram elevadas.

Assim que recebo a chave e entro no carro, reparo nos estribos – um acessório visto em carros de segmento superior e que muito poucos concorrentes oferecem. Depois dos estribos, apercebo-me de um interior bem montado, com materiais suaves ao toque. As molduras das portas seguem o mesmo caminho até às portas de trás – sim, às portas de trás! Há muito carro que se diz premium e não oferece este “luxo”.

Deparámo-nos com duas telas de grandes dimensões, com uma qualidade visual afável. O que já não é nada “amistoso” é a quase total ausência de botões: praticamente tudo é operado via ecrã, um ponto negativo deste “canhão” asiático-britânico. Existem alguns botões físicos, os autoproclamados shortcuts, que permitem operar o desembaçamento dos vidros (frente e trás), os quatro piscas, o mute do sistema de som e o botão home. O volume do rádio é controlado através do volante, o que embora não seja ideal, passados alguns quilómetros, já se torna natural.

No exterior, o EHS apresenta um design bastante atrativo. Na frente, destacam-se várias zonas cromadas, uma zona central com filete cromado e um para-choques com uma “boca” cromada que lhe dá uma certa imponência. Nas extremidades do para-choques, encontramos umas entradas de ar falsas que lhe conferem um aspeto mais agressivo. O capô apresenta dois vincos centrais e, nas extremidades, uns volumes que lhe dão um ar musculado.

De perfil, sobressaem os espelhos retrovisores montados nas portas – que dão sempre um requinte extra – e, novamente, a presença dos estribos, conferindo-lhe um charme especial. Nas laterais, requinte e charme: gostei.

A traseira é, para mim, o melhor deste EHS. Uma faixa LED percorre toda a largura e os faróis apresentam um desenho em “X” que lhe fica a matar.

A mala tem abertura elétrica e oferece 443 litros de capacidade. Face à versão a combustão, há uma perda de 64 litros… a vantagem é podermos percorrer, segundo a marca, até 100 km em modo eléctrico. Na prática, conseguimos fazer cerca de 80 km – nada mau.

Este EHS apresenta um bom acabamento e materiais de qualidade superior, que surpreendem. Tendo em conta o preço, este britânico dá um verdadeiro “banho” de qualidade a muitos dos seus concorrentes. As já referidas telas, ambas de 12,3 polegadas, apresentam bons grafismos e são fáceis de utilizar. Apenas um pequeno apontamento: o ecrã do sistema de navegação é demasiado direito nas extremidades; se fosse ligeiramente curvo, estaria perfeito.

Temos Apple CarPlay sem fios, com um funcionamento correto. No lado esquerdo da tela central existem botões de acesso rápido, incluindo os faróis de nevoeiro. Confesso que só dei por isso depois de ter estado, sem exagero, cerca de 15 minutos à procura do local onde os ligar. Entrei em submenus, procurei um botão físico (que não existe), voltei aos submenus e lá encontrei. Só depois reparei que o comando estava mesmo “à frente” dos meus olhos.

As câmaras de estacionamento têm boa qualidade. Em baixas velocidades, quando mudamos de direção e acionamos o pisca, o sistema ativa automaticamente a câmara dos retrovisores – muito prático!

A consola central é muito sólida e não mexe um milímetro, algo que nem sempre acontece em modelos concorrentes, onde por vezes temos consolas centrais que abanam “por todos os lados”. Um ponto positivo para este MG.

A unidade ensaiada tinha pouco mais de 4 mil quilómetros e algo que não posso deixar de mencionar é que o banco do condutor já abanava. Importa, contudo, referir que se tratou de um caso isolado, pois numa ida a um concessionário da marca pude verificar que a viatura em que me sentei não apresentava esse problema.

Em termos de segurança, este SUV oferece vários sistemas que cumprem adequadamente o seu propósito. Houve, no entanto, uma situação caricata: a unidade tinha o sensor de ângulo morto com algum problema, pois, nos três dias em que estivemos com a “máquina”, não funcionou uma única vez. Mais uma vez, importa sublinhar que se tratou de algo específico da viatura testada, pois noutras unidades que vi na estrada o sistema operava corretamente. Tirando estas duas adversidades, e embora a ausência de botões continue a ser um hiato (já que a maior parte das definições do MG é operada via ecrã), podemos dizer que o interior deste EHS surpreende.

No campo do grupo propulsor, há duas versões: HS a combustão e EHS em plug-in. Na primeira, temos um bloco 1.5 turbo de 170 cv; na segunda, temos 272 cv, mais 14 cv face ao modelo anterior.

As baterias também evoluíram, passando agora a ter 21,4 kWh, com uma potência máxima de carregamento de 7 kW. Numa tomada “lá de casa”, o carregamento pode ser feito em cerca de 10 horas. Imaginando que chega do trabalho por volta das 19h e sai às 7h30 da manhã, não será qualquer inconveniente. Este tempo reduz-se para cerca de 3 horas quando utilizamos um posto de carregamento ou uma wallbox.

Em modo elétrico, conseguimos circular cerca de 80 km, maioritariamente em autoestrada, o que consideramos um bom valor. Com o depósito de gasolina cheio, conseguimos percorrer cerca de 505 km. As médias do motor térmico rondam os 7,2 l/100 km. A regeneração apresenta três níveis e podemos escolher como queremos andar com o britânico: em modo híbrido ou elétrico.

O EHS está disponível em dois níveis de equipamento: Comfort e Luxury. Qualquer versão que escolha vem bem equipada. A unidade ensaiada era a Comfort e posso dizer que, sinceramente, não senti falta de nada. Esta segunda geração cresceu em todos os sentidos, face à primeira geração: comprimento, distância entre eixos e capacidade da mala.

A posição de condução é correta, embora elevada, e as regulações do volante são boas. Apenas achei as hastes dos piscas e do limpa-para-brisas algo ásperas – fica o apontamento jornalístico.

Em termos dinâmicos, as condições meteorológicas não permitiram explorar todo o potencial deste SUV do grupo SAIC, mas o EHS mostrou-se competente. Notaram-se algumas transferências de peso, sobretudo em curvas-contra-curvas. Em piso molhado e curvas fechadas, o “inglês” revelou alguma tendência para fugir de frente e para varrer.

Por fim, no que toca aos modos de condução, existem três – Eco, Normal e Sport – que alteram (não muito…) o comportamento do carro. No Eco e no Normal, a diferença é mínima; já no Sport, notamos o acelerador mais sensível e a direção ganha peso, embora excessivo e algo artificial. Ainda assim, não são modos apenas para “inglês ver”.

Este MG tem argumentos muito fortes para se destacar no segmento, uma vez que oferece exatamente aquilo que o consumidor europeu gosta: é alto, tem estilo, um interior sólido e um preço muito competitivo.

Assim, podemos dizer que este EHS veio baralhar as contas do segmento. É uma proposta racional, sem grandes alaridos. Para quem procura um SUV que permita andar em modo elétrico, com espaço q.b. e um preço sensato, pode muito bem ter encontrado o tal.

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