Em junho de 2024, foi lançada a 4.a geração do modelo italiano. Esta geração apresenta muitas novidades; uma delas é a alteração do nome, passando a chamar-se Grande Panda. Outra novidade é que, pela primeira vez na sua história, partilha a plataforma com o C3. Nas gerações anteriores, dividia a plataforma apenas com outros modelos italianos; agora, com franceses, é a primeira vez… Será uma vingança pelo Mundial de 2006? Este Panda vem munido com três motorizações: gasolina, híbrido e elétrico. É também o primeiro Panda a ter caixa automática na versão híbrida, visto que, na geração anterior, tivemos mais uma era de caixa manual. Além disso, é o segundo Panda elétrico: o primeiro foi lançado em 1990, o Panda Elettra, mas não vingou. Passados 28 anos, temos um novo Panda elétrico, que veio todo estiloso!


ESTILO É UM REQUISITO
Neste “campo”, o Grande Panda dá um show de bola aos concorrentes, sejam eles da sua família, entenda-se o C3, ou os seus rivais. O show de bola começa logo na frente, com uns faróis LED em estilo pixel. Também passou a ter, pela primeira vez, o nome da marca de Turim por extenso no lado direito do painel frontal, o que lhe fica mesmo muito bem e o torna diferente. O Grande Panda é ainda o primeiro carro a ter um carregador embutido exatamente onde está o símbolo (o lettering) da marca italiana. Nas versões elétricas existe uma “tampa” que nos dá acesso direto ao carregador. Uma solução hiper, mega prática!… sem falar que não precisamos de andar com mais um cabo atrás. Nos para-choques encontramos mais um símbolo da marca italiana, no lado direito: o retângulo localizado abaixo do painel frontal. Este símbolo é o que a FIAT usava nos anos 90, as míticas quatro barras. Ainda na frente, vemos uns desenhos na parte inferior do para-choques, uns quadrados, que dão o ar da sua graça. Nas laterais, as cavas das rodas são pronunciadas, o que lhe confere uma grande robustez; nas portas, surgem alguns volumes que lhe dão um ar mais másculo. Nesta lateral há três aspetos que queria mencionar: 1.o – o puxador da porta só existe numa cor: preto; 2.o – na parte inferior de ambas as portas aparece um enorme PANDA, que me fascinou, tenho de ser sincero, uma excelente “cartada”; 3.o – nos pilares C e D (ao centro) encontramos um quadro bidimensional que, visto do lado direito, diz Fiat; visto do lado esquerdo, mostra o símbolo das quatro barras. Atrás, os faróis têm alguma irreverência: parecem peças de LEGO e seguem o mesmo padrão da frente, com LEDs em estilo pixel, mas agora em formato de cubo. Pela primeira vez na sua história, o Grande Panda adota uma nova linguagem no que toca aos símbolos: deixamos de ter o logótipo tradicional e passamos a ter o nome da marca estampado no canto superior esquerdo. Na designação do modelo também há novidades: se antes tínhamos um Panda cromado, agora surge um friso com letras volumosas com o nome do modelo. Passando para a bagageira, o volume neste Panda elétrico é de 361 litros, um espaço amplo e bastante fundo. Antes de irmos ao interior, há que referir um detalhe menos bem conseguido: a chave deste Panda, que em nada condiz com o carro… é demasiado sóbria para um modelo com tanta irreverência. No interior, somos brindados com algo que condiz perfeitamente com o exterior: ousado e bem acabado. Claro que os plásticos são duros, mas isso já seria de esperar… ainda assim, temos vários espaços de arrumação e um apoio de braço regulável em profundidade (um item nunca antes visto num Panda). A Fiat deu-nos, quiçá, o interior mais criativo alguma vez feito neste pequeno e prático citadino. A moldura que integra o painel de instrumentos e o ecrã central é inspirada na pista de testes de Lingotto, e o porta-objetos na parte superior do tablier é revestido em Bambox Bamboo Fiber Tex (de série na versão La Prima). Um easter egg delicioso do Grande Panda está do lado direito do ecrã central: temos o primeiro Panda de sempre em 3D. Para muitos, um mero detalhe; para mim, uma particularidade cheia de história. Já que falamos de ecrãs, a tela central tem 10,25” e o seu funcionamento é mais do que adequado: temos Apple CarPlay sem fios, carregador por indução (novidade absoluta no Panda) e um painel de instrumentos totalmente digital de 10”, independentemente da versão escolhida.Indo ao “corte da carne”, posso dizer que a qualidade do ecrã é boa, mas peca por um computador de bordo algo limitado: só tem dois modos – Trip A e Trip B. De notar ainda que podemos alterar o design do cluster e, outro detalhe que achei maravilhoso, é possível escolher um idioma para o ecrã central e outro diferente para o painel de instrumentos… ideal para quem tem dupla nacionalidade. Por fim, os comandos do ar condicionado são operados como manda a lei: botões físicos, “herdados” do seu irmão C3. E ainda bem.
CONDUÇÃO ELETRIZANTE?
Não! Mas é uma condução muito ágil em cidade. O Panda revelou-se bastante confortável nos trajetos realizados, sem falar que nas lombas demonstrou um conforto muito acima da média, já que é muito macio… e nós gostamos disso!A posição de condução continua fiel aos seus antecessores: alta e com boa visibilidade. Mesmo na posição mais baixa do banco, continuamos “altos”. Os bancos são confortáveis e ainda trazem uma frase simpática: “PANDA MADE WITH LOVE IN FIAT”. No volante, outra estreia: a regulação em profundidade. É ampla? Não. Mas existe, e isso é o que importa!
Quando fui buscar o “italiano” e dei à chave (sim, este Panda deve ser dos poucos elétricos que ainda se ligam com chave, nada de botões), marcava uma autonomia de 320 km. Confesso que, ao ver este valor, senti aquele range anxiety, mas o que é certo é que, desses 320 km, fizemos cerca de 150 km em autoestrada e, em cidade, sem grandes preocupações, 250 km. Contudo, acredito que numa condução mais “cautelosa” conseguimos ultrapassar a barreira dos 300 km. A velocidade máxima é de 136 km/h.O “motor” elétrico debita 113 cavalos e 122 Nm de binário. A capacidade bruta da bateria é de 44 kWh, sendo que utilizáveis são 43,8 kWh. Os carregamentos em AC vão dos 7 aos 11 kW (opcional) e, nos carregamentos rápidos, suporta até 100 kW – o que significa que podemos ir dos 10% aos 80% em cerca de 30 minutos.
No tema consumos, a marca anuncia 16,8 kWh/100 km, mas no nosso teste conseguimos 15,6 kWh/100 km, um valor bastante positivo. Quanto à regeneração do italiano, este Panda não tem níveis reguláveis: existe apenas um botão no seletor, que é um “C”, que reduz a regeneração e a disponibilidade do binário – ideal para os dias chuvosos, pois não há tanta disponibilidade assim que aceleramos. Fiz cerca de 500 km com o Grande Panda e gastei perto de 50 euros, sempre a carregar em postos rápidos. Se tiver um carregador em casa, em cerca de 7 horas fica carregado; numa tomada doméstica, conte com 18 a 20 horas. Já carregar o “bicho” dos 20% aos 80% demora entre 11 a 13 horas… e dá-nos perto de 200 km de autonomia..
Lá em casa temos um Panda de 2005, 1.1 Active, com 54 cavalos, e sempre que ando com ele fico com um sorriso na cara. Pode não ter a melhor direção, nem a melhor caixa, nem ser o mais potente, mas é divertido. Já no Grande Panda, essa diversão deu lugar a uma condução mais sóbria, mas menos envolvente. Para começar, a direção é algo artificial, pouco comunicativa, e quando tentamos explorar em curva dá a sensação de que o carro se “desliga” um pouco de nós. Em certos trajetos, transmitiu também algumas vibrações pelo volante.Mas em cidade – e diga-se que é exatamente para isso que o Panda foi feito – cumpre e convence!
Em suma, achei o Panda um ótimo carro e tenho a certeza de que vai levar a marca de Turim a um novo patamar. Está melhor que nunca, tem várias motorizações para agradar ao comum mortal que precisa de um citadino, com a vantagem de apresentar um design irreverente, alguma tecnologia a bordo (até câmara traseira já tem, e com boa qualidade) e vários sistemas de segurança (só faltou o sensor de ângulo morto). Soma-se ainda a existência de vários níveis de equipamento: Pop, Icon e La Prima.
Qual a versão que deve comprar? Muito sinceramente, opte pelo elétrico. Vamos ser francos: é a motorização que faz mais sentido. E se tiver infraestrutura, “atire-se de cabeça” e compre! Agora, por favor, não escolha cores sóbrias… este carro pede cores vivas, como esta unidade. Se eu comprava um Panda? Sem dúvida! No final de contas, alguém lá em casa tem de continuar a dinastia Panda…
