Ainda existe uma perceção enraizada de que a autonomia é o principal obstáculo à adoção da mobilidade elétrica. Mas, por vezes, tudo o que é preciso é uma experiência real — sem filtros — para desmontar esse mito. Foi exatamente isso que procurei fazer ao volante de um Polestar 4, numa viagem entre Vila do Conde e Lisboa, com partida do stand da Triauto, rumo ao Hotel Ikonik.
Para contextualizar a experiência, o Polestar 4 posiciona-se como um SUV coupé 100% elétrico com uma abordagem muito focada na eficiência e performance. Equipado com uma bateria de 100 kWh, permite autonomias até cerca de 620 km (WLTP) na versão de motor único, podendo chegar aos 544 cv na variante de dois motores com tração integral. A aceleração dos 0 aos 100 km/h pode ser feita em apenas 3,8 segundos, demonstrando que eficiência e performance já não são conceitos opostos no mundo elétrico. Ao nível do carregamento, suporta potências até 200 kW em corrente contínua, permitindo recuperar de 10% a 80% em cerca de 30 minutos. Em Portugal, o modelo tem agora um preço de entrada desde 50.900€, posicionando-se de forma ainda mais competitiva no segmento dos elétricos premium.
Saí com 80% de bateria e, logo no início, fiz uma paragem estratégica em Oliveira do Douro para “apanhar” uma colega que me acompanharia nesta jornada. A partir daí, a viagem decorreu de forma tranquila e consistente, maioritariamente a 120 km/h, com uma ligeira redução para os 110–115 km/h na fase final.
A gestão foi simples, sem necessidade de grandes preocupações ou ajustes constantes.
Resultado: chegada a Lisboa com 6% de bateria e cerca de 60 km de autonomia ainda disponíveis — um número que, para muitos, poderá surpreender.
A escolha do Hotel Ikonik Lisboa revelou-se igualmente acertada. Com vários pontos de carregamento disponíveis, bastou ligar o carro ao final do dia e deixar que carregasse durante a noite. Sem filas, sem esperas, sem desvios. Na manhã seguinte, o Polestar 4 estava novamente a 100%, pronto para mais um dia intenso.
E que dia foi esse. Nove reuniões, em diferentes pontos da cidade de Lisboa, sempre com total confiança na autonomia e sem qualquer necessidade de carregamento intermédio. No final da agenda, iniciei o regresso a Matosinhos com 94% de bateria.
Ainda houve tempo para passar por Espinho e novamente por Oliveira do Douro para deixar dois colegas, antes de terminar a viagem com 24% de bateria — sempre dentro dos limites legais de velocidade e, mais uma vez, sem qualquer paragem para carregar.
Esta experiência reforça uma ideia simples, mas muitas vezes ignorada: a mobilidade elétrica já responde às necessidades reais do dia a dia — mesmo em cenários exigentes.
Mais do que números, é a vivência que faz a diferença. Para quem cresceu com motores de combustão, é natural que existam dúvidas: autonomia, tempos de carregamento, infraestrutura. Mas a verdade é que, na prática, muitas dessas barreiras dissipam-se rapidamente.
Há algo de particularmente relevante nesta experiência: durante toda a viagem, nunca precisei de parar numa “bomba”. O carro carregou enquanto eu descansava. E essa mudança de paradigma — passar de “abastecer” para simplesmente “carregar enquanto se vive” — representa um nível de comodidade difícil de ignorar.
A mobilidade elétrica não é apenas uma alternativa. Para muitos casos, já é uma solução mais simples, mais confortável e perfeitamente alinhada com as exigências do quotidiano.
José Oliveira,
Diretor Greenfuture
