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Green Future-AutoMagazine

O novo portal que leva até si artigos de opinião, crónicas, novidades e estreias do mundo da mobilidade sustentável

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Opel Corsa-e aça FIA de Ralis de Regularidade para automóveis elétricos

Opel Corsa-e conquista a Taça FIA de Ralis de Regularidade para elétricos

O Opel Corsa-e, que participou pela primeira vez em competições internacionais, sagrou-se campeão da Taça FIA de E-Ralis de Regularidade 2020 (ERRC), uma prova exclusivamente destinada aos automóveis elétricos.

Criada pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), com o propósito de promover as energias alternativas no desporto automóvel, a Taça ERRC é um troféu estritamente reservado a carros de produção (veículos de série, sem modificações). A modalidade combina um rali de regularidade cronometrado ao décimo de segundo com uma classificação de eficiência (consumo de energia) onde são contabilizados os Watt/hora (Wh) consumidos.

Planeada, numa fase inicial, para ser disputada em oito etapas, a Taça FIA ERRC 2020 foi encurtada devido à pandemia de COVID-19, tendo arrancado apenas no verão. Apesar disso, a competição deste ano veio a revelar-se a mais competitiva da história da modalidade, com a participação de cinco campeões internacionais, bem como os campeões nacionais de França, Itália, Espanha e Portugal. Uma dezena de marcas automóveis participaram na edição deste ano.

O Opel Corsa-e tripulado por Artur Prusak assumiu a liderança na primeira ronda com uma vitória na Islândia, tendo a marca alemã conquistado o título com pódios nos outros dois eventos, que tiveram lugar em Portugal e Espanha.

Cronometrado ao longo de centenas de quilómetros, o Corsa-e estabeleceu, no decorrer do campeonato, um recorde de consumo médio de energia de 12,7 kWh por cada 100 quilómetros.

“A Taça FIA ERRC exige uma condução o mais suave possível de forma a manter as velocidades médias especificadas pelos regulamentos, e sem desperdiçar energia”, explica Artur Prusak, que celebra agora o seu terceiro campeonato, depois das vitórias de 2015 e 2016. “É este equilíbrio que torna o campeonato tão interessante, e a razão pela qual está a atrair cada vez mais concorrentes. Graças ao Opel Corsa-e, conseguimos colocar-nos numa posição vantajosa e fomos consolidando a liderança em cada rali”, concluiu o piloto franco-polaco.

“O Corsa-e provou ser o carro mais competitivo em qualquer tipo de percurso ou piso”, complementa Thierry Benchetrit, o primeiro navegador com quatro títulos no EERC. “Em montanha, nas planícies ou em cidade, estivemos sempre na liderança em termos de eficiência e regularidade”.

Durante o campeonato, Prusak e Benchetrit tiveram o apoio logístico da Opel em França, e nos três países onde se realizaram os ralis – Islândia, Portugal e Espanha.

Em 2021, a Opel e o ADAC (Allgemeiner Deutscher Automobil-Club, ou Automóvel Clube da Alemanha) lançarão a Taça ADAC Opel e-Rally, a primeira competição de ralis monomarca do mundo para automóveis elétricos.

Fonte: Opel

Geração Z - A Geração Móvel

Geração Z – A Geração da Mobilidade

Opinião de Stefan Carsten

Desafio

Como intervenientes principais de um mercado em rápida mudança, os fabricantes de automóveis têm de se interessar pelas necessidades e desejos futuros das pessoas – especialmente dos clientes que estão a chegar ao mercado. Por esta razão, o Zukunftsinstitut – um think tank de estudos sobre o futuro –, comissionado pela Ford, questionou jovens sobre as suas opiniões e atitudes relativamente à mobilidade. O objetivo do Mobility Zeitgeist Study 2020 era entender melhor a Geração Z. Afinal, a interpretação da mobilidade por parte dos jovens que têm hoje entre 18 e 23 anos significa que novos caminhos terão de ser tomados no futuro. Só assim será possível criar serviços de mobilidade com os quais a Geração Z possa viver.

Conclusão do atual inquérito, com mais de 2 000 pessoas selecionadas aleatoriamente: atualmente, a mobilidade é sinónimo de multimodalidade, flexibilidade e liberdade, mas ao mesmo tempo o automóvel permanece altamente relevante no público-alvo de 18 a 23 anos.

Em detalhe, o estudo mostra o tipo de mentalidade da Geração Z em relação a…

  • Importância e significado da mobilidade e automobilidade: o automóvel continua a ser um componente relevante da mobilidade individual.
  • Mobilidade pós-fóssil: no caminho para uma maior sustentabilidade, os motores a gasolina e diesel são rejeitados pela grande maioria.
  • Procura da mobilidade: utilização das múltiplas possibilidades de mobilidade. Os membros da Geração Z são protagonistas da mudança entre tipos de transporte.
  • Mobilidade partilhada: as novas ofertas ainda precisam de tempo. O alto nível de conhecimento de novos produtos e serviços não resulta ainda num alto nível de utilização.
  • Vida facilitada: a mobilidade porta-a-porta integrada em redes é um desejo importante para o futuro.
  • Equilíbrio trabalho-lazer: a mobilidade deve ser facilitadora de uma cooperação equilibrada entre as duas vertentes.
  • Mobilidade conectada: inovações para uma melhor experiência de mobilidade, mas os dados privados devem permanecer seguros.

Conhecer a Geração Z

A mobilidade, entendida como um todo, goza de um estatuto muito elevado na Geração Z. ‘Estar móvel’ é uma base importante no cumprimento dos seus objetivos de vida e da necessidade de liberdade e flexibilidade. Os valores da Geração Z são complexos e bastante sérios. Giram em torno do sucesso profissional e do valor dos amigos e da família. Na busca pela individualidade num mundo global, as principais prioridades dos jovens, além do desejo por um trabalho com significado e gratificante (83%), são “divertir-se e aproveitar a vida” (83%) e “ter tempo para si e para os seus próprios interesses” (85%). A mobilidade é uma pedra angular importante neste equilíbrio entre trabalho e lazer, que 80% da Geração Z procura, porque para eles a mobilidade é sinónimo de flexibilidade (64%), independência (58%) e liberdade (54%).

A importância do automóvel no mix de mobilidade continua elevada

A Geração Z faz uso das muitas possibilidades de mobilidade. Seleciona os seus meios de transporte de acordo com a forma como melhor se adaptam à sua vida quotidiana no momento. Aqui, o automóvel ainda é muito importante, mas deve ser integrado num estilo de vida ativo e ambientalmente consciente (afinal, 71% dos jovens entre os 18 e os 23 anos já têm carta de condução).

Igualmente importantes para a maioria são os custos globais de mobilidade. Sete em cada dez inquiridos gostariam de ver os preços mais baixos possíveis ou mobilidade a baixo custo. Comprar um carro já não é o objetivo principal da geração mais jovem, uma vez que têm acesso ao automóvel: a Geração Z usa o carro da família ou um carro emprestado. Este estatuto geral do carro aqui e os objetivos de vida da Geração Z também se refletem naquilo que exigem de um carro. Dois terços concordam com a afirmação de que “as viagens de carro em conjunto com amigos são divertidas” (67%). Quase tantos concordam, no entanto, que um carro deve ser, antes de mais nada, prático e funcional (64%) e oferecer o maior número possível de formas ​​de utilização através de interiores adaptáveis (56%).

Quão sustentável é realmente o pensamento da Geração Z?

Os chamados valores sustentáveis, como estilos de vida e de consumo socialmente responsáveis, são considerados importantes por (apenas) 58% dos inquiridos. No geral, contudo, a mobilidade verde é uma grande prioridade entre os jovens adultos: 63% da Geração Z considera os altos padrões ambientais e proteção climática e dos recursos como critérios importantes para garantir que a mobilidade responda realmente às necessidades das pessoas, no futuro. Metade dos inquiridos diz que conduzir um carro ecológico produz uma boa sensação (51%) e está convencida de que deveriam haver mais incentivos para produzir, comprar e utilizar carros elétricos amigos do ambiente (50%).

Minuto AutoMagazine - Volkswagen ID.3

Minuto AutoMagazine: Volkswagen ID.3 1st


O Green Future AutoMagazine foi ao 4º Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico testar o novo 100% elétrico da Volkswagen.

Especificações:

Bateria: 48 kWh

Autonomia WLTP: 330 km

Transmissão:  automática; tração traseira

Potência: 150 kW (204 cv)

Velocidade Máxima: 150 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 7.3 segundos

Bagageira: 341 l

Preço: a partir de 38 017€

XIV. A Corrida de EastFortune - PSEM

XIV. A Corrida de East Fortune

O resultado de longos meses de projeto, construção e otimização chega por fim à fase final – 60 minutos de prova nas mais reconhecidas e emblemáticas pistas britânicas. É, indubitavelmente, um privilégio poder ter a oportunidade de visitar e competir em pistas como Goodwood (pista do Festival of Speed), Dunsfold (pista de testes do Top Gear), Aintree e Silverstone (a antiga e atual casa do Grande Prémio de Inglaterra de Fórmula 1).

Pouco antes das corridas iniciarem, os veículos alinham-se na grelha, e mal cai a bandeira começamos a analisar os dados telemétricos do carro, por forma a garantir que a carga das baterias é gasta da melhor forma possível, não só para que consigamos ter uma boa velocidade máxima, como também uma boa média ao longo de toda a prova. Estamos constantemente a receber e transmitir informações ao nosso piloto, permitindo que o mesmo consiga adaptar a sua condução aos diferentes cenários de prova e claro, bater os rivais.

No ano passado, o nosso protótipo GP17.Evo revelou-se mais competitivo que o carro da Jaguar-Land Rover, e estávamos taco a taco com os nossos colegas da Silesian University of Technology, da Polónia, com os quais partilhámos o pódio em East Fortune. E que corrida foi essa! O carro começou no último lugar da grelha de partida e teve um arranque mais lento que os restantes participantes. Tal deveu-se à escolha de uma relação de transmissão mais longa, no entanto a mesma assegurou maior velocidade de ponta. Bastou uma volta para que o nosso piloto ultrapassasse todos os veículos em prova e passasse para primeiro lugar. Porém, dadas três voltas, o carro foi vítima degremlins na eletrónica: o pavimento do circuito não tinha as melhores condições e as vibrações provocaram um mau contacto entre o cabo principal de potência e as baterias. Perdemos completamente o ritmo, o carro parou em pista e foi rebocado até às boxes. Prontamente a equipa apercebeu-se do problema e dez minutos depois o carro entrou novamente em pista, em último lugar. Nos restantes 40 minutos de prova, o piloto conseguiu habilidosamente ultrapassar concorrente após concorrente, carro após carro, e conseguiu acabar a prova em segundo lugar! Além disso, batemos o recorde da volta mais rápida dada no circuito em toda a história da Greenpower.

Foi o nosso melhor resultado até à data, o culminar de sete anos de experiência e de trabalho, e sem dúvida a melhor recompensa, não só para os membros da equipa da altura, como também para todos os membros que fizeram o PSEM evoluir e o tornaram naquilo que é hoje.

E o que temos planeado para o futuro? Com o GP19 e com o GP21? Bem, digamos que aquele segundo lugar não vai ser o melhor resultado por muito mais tempo!

Poderá acompanhar o PSEM nas seguintes redes sociais:

Voz ao Utilizador - Telmo Azevedo

Voz ao Utilizador: Telmo Azevedo (Parte I)

O Green Future AutoMagazine esteve à conversa com Telmo Azevedo, um engenheiro que optou pela mobilidade elétrica há já muito tempo.
Nesta primeira parte, fique a conhecer como a mobilidade sustentável surgiu na vida do nosso convidado.

XIII. Deslocamento e Preparativos para a Corrida

XIII. Deslocamento e Preparativos para a Corrida

E chegamos ao dia da Grand Tour do PSEM para as competições em Inglaterra, uma viagem de duas semanas onde oito membros da equipa irão percorrer a Europa até chegarem ao Reino Unido. Sendo uma viagem longa e com um objetivo muito concreto, é necessária uma preparação minuciosa de todos os passos da jornada. Para tal, o Departamento de Comunicação e Marketing encontra-se responsável por planear toda a logística do percurso, definir os checkpoints, as paragens estratégicas e o plano de contingência na infeliz ocasião de algo não correr conforme esperado. São também definidas as estadias e os locais onde poderemos trabalhar no carro no período entre provas. Paralelamente ao trabalho desenvolvido pelo Departamento de Comunicação, os membros de Projeto Mecânico e Eletrónica arrumam os protótipos e todas as ferramentas e componentes que iremos precisar para trabalhar nos mesmos.

Numa viagem de três dias, percorremos Portugal, Espanha, França e, depois de atravessar o Canal da Mancha, chegamos a solo Britânico. As nossas competições decorrem por terras de Sua Majestade, onde iremos encontrar pistas mundialmente conhecidas, como Dunsfold, pista de testes do Top Gear, Goodwood, onde decorre o Festival of Speed, e Silverstone, a casa do Grande Prémio de Inglaterra da Fórmula 1.

Cientes da importância do momento em que nos encontramos, abordamos todas as provas com o mesmo procedimento. Após a chegada à pista, participamos na inspeção realizada pelos oficiais da Greenpower, que se certificam que o veículo cumpre todos os pontos do regulamento técnico e de segurança.

Após a análise ao nosso protótipo, realizamos os preparativos finais, tendo especial atenção ao alinhamento das rodas, afinamento dos travões e à seleção da transmissão, baseada na experiência das provas em anos anteriores. Em seguida, o veículo participa num treino de 90 minutos, para podermos testar a telemetria e verificar os dados recebidos nas boxes e os que o piloto observa no dashboard. Durante o teste é também definida a relação de transmissão adequada à corrida, com base na análise dos nossos modelos e programas de análise de consumo e segundo as condições atmosféricas e o layout do circuito. Após terem sido realizados todos os ajustes, estamos prontos para entrar em prova.

Não perca a edição da próxima semana, em que vamos partilhar consigo a história da corrida em que obtivemos o melhor resultado até ao momento – a corrida de East Fortune!

Poderá acompanhar o PSEM nas seguintes redes sociais:

Toyota RAV4 Hybrid - Minuto AutoMagazine

Minuto AutoMagazine: Toyota RAV4 Hybrid FWD

Ensaiámos a versão híbrida, de tração dianteira, do novo Toyota RAV4.

Especificações

Consumo (combinado): 5,6 l/100 km

Transmissão: Transmissão Variável Contínua Controlada Eletronicamente (e-CVT)

Motorização: 2.5 l; 4 cilindros em linha; gasolina + motor elétrico 88 kW

Potência (combinada): 160 kW (218 cv)

Binário máximo: 221 Nm (3 600 – 5 200 rpm)

Velocidade máxima: 180 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 8,4 segundos

Emissões CO2 (combinado, WLTP): 126 g/km

Tração: FWD

Bagageira: 580 l (mín.); 733 l (máx.)

Preço: a partir de 41 000 €

Novo Mercedes EQS

Mercedes EQS chega em 2021

O EQS, o modelo totalmente elétrico da mais recente gama da família Classe S, chegará ao mercado durante o próximo ano. É o primeiro automóvel a utilizar o novo sistema concebido para os veículos elétricos do segmento de luxo e executivos da Mercedes-Benz.

A nova geração de veículos elétricos do segmento de luxo é baseada numa arquitetura especificamente desenvolvida, que é escalável em todas as vertentes e pode ser utilizada em várias séries de modelos. Desta forma, o conceito do veículo é otimizado para cumprir todos os requisitos de uma família de modelos elétricos que a Mercedes-Benz pretende expandir no futuro. Esta arquitetura de veículo permite construir veículos elétricos de diferentes tipologias, desde limousines até grandes SUV.

O EQS encontra-se atualmente nas últimas fases de testes, antes do início da etapa de produção, incluindo a realização de testes no Centro de Testes e Tecnologia em Immendingen. O processo inclui testes de inverno na Escandinávia, testes ao chassis e à cadeia cinemática em pistas de ensaios, estradas públicas e no circuito de testes de alta velocidade de Nardo, bem como os testes integrados de todo o veículo no calor do sul da Europa. Atualmente estão também a ser realizados testes de estrada na China e nos Estados Unidos.

No âmbito da sua iniciativa ‘Ambition 2039’, a Mercedes-Benz tem como objetivo oferecer um portfólio de novos modelos de veículos neutros em emissões de CO2 num período de menos de 20 anos. A empresa pretende que os veículos equipados com propulsão elétrica, incluindo veículos totalmente elétricos e híbridos plug-in, representem mais de metade das suas vendas em 2030.

Prémio Galp

Galp conquista prémio para melhor Investor Relations no setor energético europeu

A equipa de Investor Relations da Galp venceu o prémio de melhor IR Team do setor energético na Europa em 2020. Esta distinção foi atribuída pela Investor Relations Magazine, que há mais de 20 anos celebra a excelência e as melhores práticas nas relações com investidores. 

A distinção teve por base uma análise aprofundada às principais empresas e profissionais, e um estudo de perceção conduzido anualmente junto de profissionais de referência no mercado de capitais: o Investor Perception Study – Europe 2020, que se realizou durante a primeira metade do ano e compreendeu um universo de mais de 500 instituições de investimento. 

“Num ano como este, ver a equipa da Galp destacada como líder entre os seus pares no relacionamento com o mercado tem um significado ainda mais especial”, refere Otelo Ruivo, Diretor de Relações com Investidores da Galp. “É uma distinção que reflete, por um lado, o esforço contínuo e a dedicação desta equipa para manter a dinâmica e a qualidade informativa junto dos mercados, mesmo nos momentos mais difíceis. Por outro lado, é o reconhecimento de que as soluções encontradas permitiram colocar a Galp como uma referência mesmo quando comparadas com empresas de muito maior dimensão”. 

A equipa de Investor Relations arrecadou o prémio pela quinta vez, após as distinções nas edições de 2014, 2015, 2016 e 2018.

Fonte: Galp

Entrevista com João Rocha, Engenheiro de Condução Autónoma na NEVS

Entrevista: João Rocha, Engenheiro de Condução Autónoma na NEVS

Por Carolina Caixinha

Após concluir o Duplo Mestrado em Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico em Lisboa e na TU Delft na Holanda, João Rocha mudou-se para a Suécia em 2016, onde começou a trabalhar na antiga SAAB, agora NEVS, como engenheiro de software.

Entre 2017 e 2018 foi destacado para um projeto na China, tendo coordenado a equipa responsável pelo desenvolvimento do software de controlo de um veículo elétrico. Após essa passagem pelo país asiático, regressou à Suécia, encontrando-se, atualmente, a trabalhar na área da condução autónoma. 

A carreira Internacional foi a sua primeira opção?

Quando terminei o mestrado em Engenharia Aeroespacial considerei várias opções, tanto em Portugal como fora. Nessa altura, a NEVS apresentou-me um projeto ambicioso com o objetivo de desenvolver veículos elétricos e autónomos. Esta era uma das áreas que mais me interessava e que eu via que tinha um grande potencial no futuro.

Como qualifica o conhecimento dos jovens portugueses face ao resto da Europa, e à Suécia em particular?

Na Suécia, a indústria automóvel tem uma relevância que em Portugal não tem. Tendo isso em mente, há competências e conhecimento que foram desenvolvidos e partilhados durante décadas e que estão bem patentes na cultura sueca. Por exemplo, os automóveis suecos como os Volvos e SAAB sempre foram reconhecidos como sendo dos mais seguros do mundo. Isso não acontece por acaso e nota-se que os engenheiros suecos têm competências a esse nível que no fim fazem a diferença.

Mas isso não significa que os jovens do resto da Europa, e de Portugal em particular, tenham menos ou mais conhecimento que os suecos. Nos últimos anos tem havido um grande crescimento dentro da indústria de novas áreas como a condução autónoma, tecnologia das baterias, conectividade de veículos à nuvem, entre outras, em que jovens de diferentes países podem contribuir com o seu conhecimento e capacidade de inovar.

Posto isto, eu penso que um dos aspetos fundamentais que se deve procurar numa equipa de engenheiros é a diversidade, pois isso incentiva a discussão de várias alternativas que não iríamos ter de outra forma. 

Quem gosta de automóveis certamente tem como referência a SAAB, no entanto o nome NEVS poderá não ser familiar a alguns dos nossos leitores. Pode ilustrar a relação em estes duas marcas e o peso que a NEVS poderá representar na indústria dos carros eléctricos ? 

A SAAB é uma empresa do ramo aeroespacial e que criou o ramo automóvel SAAB Automobile em 1945. Depois de alguns problemas financeiros, a SAAB Automobile faliu em 2012 e foi aí que a NEVS entrou, ao adquirir os ativos da SAAB. Ainda houve um período entre 2012 e 2016 em que se usou o nome SAAB mas, por diversas razões, a partir de 2017 passou simplesmente a ser NEVS. Ainda assim, o legado da SAAB está bem presente, pois muito do pessoal que trabalhava na SAAB está empregado na NEVS.

A NEVS é uma empresa relativamente recente e que desenvolve veículos puramente elétricos. Este é apenas um dos aspetos que a NEVS considera importante para tornar sustentável o futuro da mobilidade. Condução autónoma, eletrificação e a conectividade de veículos à nuvem são também tópicos que estão a transformar a indústria automóvel e em que a NEVS quer ter um papel relevante.  

Quando falamos em veículos elétricos, obviamente projetamos o futuro da industria automóvel e o futuro das cidades. De facto, muitos países acreditam cada vez mais nas vantagens deste tipo de soluções, adotando, inclusive, programas de incentivo à compra de veículos elétricos. Esta é uma das principais tendências da indústria automóvel, componente-chave que atrai o interesse de todos. Na sua opinião, qual a maior importância e vantagens em veículos elétricos ?

Atualmente, é indiscutível que o veículo elétrico apresenta maiores benefícios para a sustentabilidade do futuro do que qualquer outra alternativa. A sustentabilidade tem de ser o principal objetivo, e é importante não esquecer isso.

Quanto aos programas de incentivo de compra de veículos elétricos, acho que seja uma boa ideia até um certo ponto. Acredito que haja ideias interessantes que põem em questão a necessidade de ter um carro privado, principalmente para uma pessoa que viva numa cidade. Um exemplo clássico envolve refletir sobre o número de horas por dia que um veículo privado está a não ser utilizado, parado num parque de estacionamento. Em média, um carro está parado 95% do tempo. Acredito que o crescimento dos veículos elétricos e autónomos vai potenciar uma solução mais sustentável onde exista a maximização da utilização do veículo.

Isto teria implicações que vão para além da indústria automóvel. Por exemplo, ao implementar uma solução desse género, haveria desde logo uma redução no número de veículos, o que faria com que fossem necessários menos parques de estacionamento no centro da cidade e isso iria alterar o próprio desenho urbano, possivelmente com mais espaços verdes e pedonais.

A manutenção dos carros elétricos também é um aspeto muitas vezes referido como uma das principais vantagens. Enquanto que um veículo a combustão costuma ter mais de duzentas peças móveis que se desgastam, um veículo elétrico tem cerca de vinte.

Um dos principais desafios dos fabricantes de automóveis interessados em carros elétricos é a pesquisa e desenvolvimento de baterias que permitam uma elevada autonomia e um carregamento rápido. Que desafios, em termos de inovação, estes vetores apresentam e que obstáculos são ainda necessários ultrapassar ?

Nos últimos anos tem havido desenvolvimentos promissores ao nível da autonomia das baterias, que era um dos fatores que mais limitava. Com valores atualmente à volta dos 300 e 400 quilómetros e com tendência a aumentar, acredito que esta autonomia seja suficiente para o dia-a-dia de grande parte das pessoas. Ainda recentemente, a Tesla começou a aceitar pré-encomendas dum carro com autonomia superior a 840 quilómetros.

A questão dos carregadores também é importante. Não só são precisos mais carregadores em lugares estratégicos, como também é preciso desenvolver a infraestrutura de modo a tornar possível carregamentos mais rápidos.

Da mesma maneira que a Fórmula 1 é conhecida como um importante contribuidor no que diz respeito à inovação tecnológica, a Formula E, onde os carros são exclusivamente elétricos, também tem tido a sua contribuição no desenvolvimento das baterias e de carregadores ultra-rápidos.

É verdade que ainda se está muito longe de conseguir o equivalente a encher um depósito de gasolina em termos de velocidade. No entanto, acho que é importante ponderar se isso é realmente uma necessidade ou se é possível adaptar-se sem comprometer, por exemplo, deixando o carro a carregar durante a noite em casa, ou no local de trabalho durante o dia.

Certamente a realidade da Suécia é bem diferente da realidade de Portugal. Pode identificar as mais relevantes? Pensa voltar para Portugal ou a NEVS e a Suécia já são a sua primeira casa?

Noto que aqui na Suécia há uma maior consciencialização do impacto das nossas ações no equilíbrio ambiental do que em Portugal. Há uma maior preocupação em comprar produtos locais e ecológicos, evitar objetos feitos de plástico e até há quem tenha o cuidado de, antes duma viagem, decidir a forma de transporte baseando-se na pegada de carbono, mesmo que isso implique que a viagem seja mais demorada e cara.

Os países escandinavos desde cedo também começaram a substituir os seus veículos a combustão por carros elétricos, com particular destaque na Noruega. É verdade que aqui há um maior poder de compra, mas os incentivos não monetários foram também factores que contribuíram. Em Oslo, por exemplo, um dos primeiros incentivos foi permitir aos veículos elétricos usar a faixa dos táxis e autocarros para circular dentro da cidade. Em Portugal, os incentivos chegaram um pouco mais tarde, mas nos últimos anos tem-se visto um grande aumento dos carros elétricos nas estradas portuguesas.

Quanto à segunda questão, penso que este momento é o ideal para explorar e desenvolver a minha carreira profissional no estrangeiro. Não tinha planeado especificamente vir para a Suécia, mas foi uma excelente oportunidade que surgiu e eu tive de a aproveitar. É um bom lugar onde sinto que há reconhecimento pelo valor que tenho, e trabalho numa área que me interessa muito, condução autónoma, o que também é cativante. O futuro ninguém sabe, depende muito das oportunidades que aparecerem, mas para já estou bem aqui. É claro que sinto saudades da minha família e amigos em Portugal, mas a tecnologia de hoje em dia ajuda a minimizar a distância.