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Green Future-AutoMagazine

O novo portal que leva até si artigos de opinião, crónicas, novidades e estreias do mundo da mobilidade sustentável

admin

Mais um ano a subir

Apesar de haver uma conjuntura adversa na generalidade da indústria e de isso se sentir com especial incidência no setor da mobilidade, a fileira das duas rodas portuguesa apresenta-se como um caso de estudo, capaz de crescer a contraciclo.

Hoje em dia são vários os desafios que os empresários nacionais têm que superar. A escassez de algumas matérias-primas e componentes, os preços que dispararam, juntamente com os transportes e a energia, obrigam a aceitar prazos de entrega longos e enfrentar a natural subida de preços.

No entanto, o setor das duas rodas e mobilidade suave português, apesar de manter um crescimento constante e sustentado há mais de duas décadas, de ter sido o maior exportador de bicicletas em 2019 e 2020, prepara-se para fechar mais um ano com crescimento positivo. Prevê-se que, face a 2020, o setor cresça mais de 30 por cento.

Os números que Portugal regista não acontecem por acaso. 

Um novo paradigma de mobilidade, mais responsável, menos poluente e saudável, encontrou na bicicleta, nas suas várias formas, o meio ideal de transporte. As duas rodas conseguiram assim ganhar cada vez maior expressão, que por sua vez foi acelerando com a pandemia e a subsequente busca de um meio de transporte que também permitisse o isolamento social.

Os fatores, os motores da procura, estão identificados, mas de nada serviriam se a fileira portuguesa não se tivesse preparado. As tendências do mercado há já vários anos que são seguidas pelos empresários, com a ABIMOTA à cabeça, mas há um momento fundamental, em 2015, quando o setor se dá a conhecer ao mundo. 

O programa Portugal Bike Value foi esse fator. A criação de uma marca ‘guarda-chuva’ para a fileira nacional permitiu que o coletivo partisse em busca e, sobretudo, se afirmasse em novos mercados, e dessa forma é mais fácil encarar os tempos adversos que a Europa atravessa.

É também um sentimento generalizado no velho continente de que é necessário encurtar as cadeias de distribuição, de promover a reindustrialização e, dessa forma, diminuir a dependência de mercados externos e, muitas vezes, longínquos. Além disso, essas cadeias mais curtas reduzem também substancialmente a pegada ecológica do produto, pois menos transportes significam menos emissões.

Este é, portanto, mais um ano ‘dourado’ para a mobilidade suave portuguesa, mas isso não acontece por acaso e os mais 30 por cento de crescimento são disso exemplo.

Audi Q4 e-tron 50 quattro

Audi Q4 e-tron 50 quattro

A equipa do Green Future AutoMagazine ensaiou uma das mais recentes novidades totalmente livre de emissões da Audi, o Q4 e-tron 50 quattro.

ESPECIFICAÇÕES

Bateria:  82 kWh

Autonomia (WLTP): 486 km

Potência Máxima (combinada): 299 cv

Tração: Integral

Binário: 460 Nm

Aceleração (0-100 km/h):  6,2 segundos

Velocidade máxima (limitada):  180 km/h 

Preço: desde 57.400€

Entrevista: Cecília Anacoreta Correia, Porta-Voz do CDS-PP

Entrevista: Cecília Anacoreta Correia, Porta-Voz do CDS-PP

Nesta mais recente entrevista, o Green Future AutoMagazine foi conhecer a opinião e visão de Cecília Anacoreta Correia, Porta-Voz do CDS-PP e saber a estratégia do partido para as questões ambientais.

Enquanto porta-voz do CDS-PP, considera que tem um papel acrescido na hora de sensibilizar o Outro para as questões ambientais e matéria de sustentabilidade, enquanto uma das soluções para o futuro do planeta? Como é que tem usado a sua voz neste sentido?

Como porta-voz tenho um papel de representação do CDS-PP junto da comunicação social, para com isso procurar transmitir adequadamente os nossos valores e as nossas posições aos portugueses.

Entre os valores que o CDS-PP representa está, sem equívocos, a defesa dos valores ambientais. Da própria matriz humanista do CDS-PP decorre o empenho em torno da conservação da Natureza e a defesa de um paradigma de sustentabilidade da vida do Homem em harmonia com os ecossistemas e com a sua própria natureza. É preciso cuidar bem da nossa “casa comum” na perspetiva de que ela será a casa dos nossos filhos, netos e bisnetos. Tal como é preciso cuidar de nós mesmos, como partes integrantes de um todo.

A utilização de recursos naturais tem sido um desafio, na medida em que Portugal já esgotou os seus disponíveis para este ano. Para o CDS-PP, como é que Portugal pode gerir de forma mais sustentável e eficiente os seus recursos naturais?

A supremacia dos interesses individuais de cada um – numa lógica puramente liberal da sociedade – pode conduzir à “tragédia dos bens comuns”. A defesa dos interesses das comunidades implica condicionalismos à exploração e consumo dos recursos. Neste âmbito, o CDS-PP tem sido uma voz muito forte contra a exploração desenfreada do Lítio, que outros querem fazer no alto Minho contra a voz das populações locais, por exemplo.

Além disso, é preciso caminhar para uma sociedade que, mantendo o nível de conforto (e não voltando a viver sem transporte aéreo, como há dias vi sugerido, ou sem casas aquecidas), seja capaz de consumir menos e consumir de forma mais sustentável. Isso é possível com ganhos de eficiência e através de recursos renováveis. Um exemplo disso é a busca de eficiência energética e a produção de energia renovável. A defesa dos nossos recursos naturais é possível também através de uma política de transportes verde. Ou pela via da substituição do uso do plástico por fibra ou outros produtos naturais.

No dia Mundial do ambiente, que se comemorou no passado 5 de Junho, alertámos para o facto de os nossos pescadores e agricultores serem “os mais antigos cuidadores do ambiente”. Num país ainda muito estruturado em minifúndios, a agricultura e o mundo rural português são um trunfo que nos destaca ambientalmente a nível europeu. Para defesa dos nossos recursos naturais, o CDS defende também a promoção de políticas públicas que potenciem as valências de quem vive em contacto com a Natureza e tem um conhecimento secular acumulado. Os Agricultores devem ser incentivados a usar a floresta de forma sustentável, de modo a diminuir a probabilidade dos incêndios. Os Pastores e os Caçadores devem ter um papel ativo na preservação e cuidado das espécies autóctones. No CDS confiamos nas estruturas locais e entendemos que todos devem agir em rede, como parceiros, articulados pelos poderes públicos, que nunca deve ter a pretensão de os substituir, muito menos de os combater, como sucede quando se impõem exigências incumpríveis e se é muito lesto na aplicação de multas. 

Para o CDS-PP em que é que a estratégia de descarbonização nacional se deve centrar, no sentido de conseguirmos atingir a neutralidade carbónica nos prazos estabelecidos, ou ainda antes de 2050?

O objetivo em torno de atingir a neutralidade carbónica, previsto no Acordo de Paris, ou ainda antes disso, como aponta o Green Deal, é amplamente consensual. A questão está, sobretudo, em como alcançá-lo. Ou melhor, a que custo. Nesse âmbito, o Estado tem de ser capaz de canalizar os fundos públicos para projetos que, envolvendo os privados, protejam o interesse público. Não se pode cometer os erros do passado, esbanjando recursos públicos. Se analisarmos o Plano de Recuperação e Resiliência, constatamos que Portugal pretende ainda assim destinar mais de 700 milhões de euros para a construção de estradas.

Ora, as emissões de carbono para a atmosfera provenientes do sector dos transportes aumentam em Portugal desde o início do século e o transporte rodoviário representa mais de 95% destas emissões. Somos muito dependentes da viatura automóvel e isso é fruto de décadas de desinvestimos no transporte ferroviário. 

Apesar de os cidadãos já terem despertado para a necessidade de proteger o ambiente, ainda há muito a fazer para que a sociedade na sua totalidade esteja envolvida neste compromisso. Por exemplo, que medidas de sensibilização e educação o CDS-PP considera que devam ser aplicadas para que a reciclagem seja uma iniciativa tida por todos?

O envolvimento da Sociedade exige políticas públicas indutoras de boas práticas ao nível da reciclagem, da melhoria da gestão dos resíduos e da redução da deposição de aterros. A sensibilização e educação começa nas famílias e nas escolas dos nossos filhos. Mas passa também pela responsabilidade social das empresas, públicas e privadas. Porém, tudo isso não basta. É preciso que sejamos mais exigentes com a atividade de resíduos e que se ofereçam incentivos económicos para a qualificação das PME em torno do eco-design dos processos, dos produtos e, sobretudo das embalagens.

Como referido, é urgente apostar na substituição do uso do plástico por fibra ou outros produtos naturais.

Como é que o CDS-PP vê a transição dos portugueses para a mobilidade elétrica e suave? Considera que os incentivos são indispensáveis na ponderação? Se sim até quando? E até mesmo a nível de valores, considera que estão adequados à mudança que se pretende fazer?

Sabemos hoje que a mobilidade elétrica, em boa medida, vai impor-se. Tenho muitas dúvidas que se devam perpetuar incentivos fiscais à compra de carros elétricos, quando isso é hoje uma opção racional para os compradores e quando a atividade produtiva subjacente nem sequer tem grande expressão em Portugal. Acresce que Portugal é dos países da Europa que mais depende do automóvel individual e dos que menos utiliza os transportes coletivos e as bicicletas como modo de transporte. Por isso, mais do que incentivar a aquisição de viaturas individuais, o esforço público deverá estar concentrado nos transportes públicos e na criação de infraestruturas para que a utilização de bicicletas seja cómoda e eficiente nas cidades.

A aposta em sistemas de mobilidade partilhada, designadamente de bicicletas, e a sua integração nos passes das áreas metropolitanas deverá também ser uma prioridade. A mudança de viatura de combustão para viaturas elétricas nunca será suficiente para se atingir as metas europeias. As políticas públicas terão de assegurar as condições para que seja possível reduzir o número de automóveis particulares que circulam e tal só será possível com uma revolução nos transportes públicos. O que passa por uma aposta estrutural na ferrovia e pela criação de infraestruturas que permitam a compatibilizar o uso de bicicletas com a utilização de transportes públicos.

Os portugueses são dos europeus que mais usam os carros para deslocações. O que é que tem de ser feito para que Portugal integre a lista de países que mais utilizam os transportes coletivos ou meios de transporte suave como as bicicletas e trotinetes?

Num país que desinvestiu na ferrovia, que tem redes de Metro bastante exíguas e cuja qualidade dos transportes públicos rodoviários deixa muito a desejar, não se pode esperar resultados muito diferentes. Não nego que existam alguns elementos culturais que pesem, mas sabemos que os nossos jovens, sobretudo nas cidades dotadas de pistas adequadas, aderiram em força aos meios de transporte suave, como as bicicletas e as trotinetas. E para além da integração do uso das bicicletas nos passes das áreas metropolitanas, para que estas possam ter espaço nos comboios e demais transportes públicos, é preciso investir na ferrovia e no Metro, sempre que este se justifique.

Por exemplo, em Lisboa, o CDS-PP defendeu, há muito, o alargamento do Metro de Lisboa muito para lá dos limites do concelho, com 20 novas estações. Infelizmente a opção tem sido outra.

Entrando agora num dos temas que tem sido discutido ultimamente, qual é a posição do CDS-PP relativamente à utilização de hidrogénio enquanto fonte de energia alternativa? 

O hidrogénio tem um papel a desempenhar na descarbonização na medida em que não é pensável uma eletrificação total da economia e aquele permite aproveitar os investimentos já realizados com os gasodutos existentes. Agora, dito isso, não se pode esbanjar recursos públicos alimentando tecnologias que ainda não estão maduras. Cujos custos e resultados reais são ainda, em grande medida, uma enorme incógnita. Não queremos que se repitam os erros que outros governos socialistas cometeram nas eólicas, por exemplo.

Somos um país pobre, que precisa de racionalidade económica para travar os devaneios socialistas de outros tempos, cuja fatura pesa todos os dias no bolso dos contribuintes e consumidores energéticos.

A crise climática é um tema que não deixa ninguém indiferente e está na ordem do dia pelas piores razões, isto é, o tempo está a esgotar-se nesta luta e não há planeta B. Quais são as estratégias de combate à crise climática do CDS-PP?

Queremos que se cuide bem da nossa “casa comum”. Tal implica a defesa dos nossos recursos naturais, o que envolve agricultores, pescadores, pastores, caçadores, indústrias e toda a sociedade em geral. Tal implica também a descarbonização da sociedade (mitigar e, sempre que possível, eliminar a produção de CO2), o que envolve os transportes, a indústria, a produção energética, os edifícios e também o uso da terra (a agricultura). Há muito por fazer e o segredo está na otimização dos recursos públicos e no adequado balanceamento dos valores em presença: a transição tem de ser justa, protegendo a requalificação dos profissionais, o emprego e a sustentabilidade das famílias.

Nesse aspeto os termos do próximo quadro da PAC que terá de ser aprovado no início de 2022 para entrar em vigor em 2023 será crucial. A manutenção de condições que permitam a valorização de ecossistemas mediterrâneos, como sejam o montado de sobro, são essenciais para o combate às alterações climáticas e a desertificação que foram já apontados como vetores essenciais da reforma da PAC.

O CDS tem uma grande tradição na defesa do mundo rural e está atento neste campo, sendo essencial que o Governo saiba defender formas de ocupação dos solos que sejam barreira a uma agricultura intensiva, porque esta assegura mais rendimentos a curto prazo mas prejudica a sustentabilidade quando analisada a longo prazo.

O consumo excessivo e desnecessário, quer seja de bens, de energia ou água, tem um impacto muito negativo no nosso planeta, pelo que a redução de consumo é um trabalho muito importante que deve ser feito por cada um de nós. O que é que o CDS propõe para que Portugal se distinga pela política de redução?

A palavra chave é eficiência, para não cairmos na “tragédia dos bens comuns”. Como disse, sem baixar o nível de conforto, temos de saber gastar melhor. O CDS-PP defende um compromisso mais efetivo com uma estratégia de promoção de uma economia circular assente na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

Como perspetiva o futuro de Portugal na conquista de um amanhã mais verde e sustentável?

Portugal, não sendo particularmente dotado de recursos naturais, tem no seu património ambiental um trunfo. As nossas praias virgens, a floresta, os parques e montanhas que podemos percorrer pelo país, do litoral ao interior e nas ilhas, assim como o mar, são ativos que o país tem de saber proteger. Adotando uma economia circular, esta geração pode deixar aos seus filhos um país preservado cuja atividade económica seja amiga do ambiente. Viver em sustentabilidade e também, com isso, atrair quem nos queira visitar faz parte da visão do CDS-PP para o futuro. O Turismo do ambiente é um produto forte que tem enorme potencial económico, do Continente às Ilhas dos açores e da Madeira.

Stellantis: Fusão da FCA com o grupo PSA – curiosidades

O acordo entre os dois grandes grupos FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e PSA Groupe foi celebrado em dezembro de 2019. E este artigo tem por base uma apresentação pública, em janeiro de 2021, proferida por Carlos Tavares, atual CEO da STELLANTIS e ex-CEO do grupo PSA, além de ser – acrescento – um português que orgulhosamente sigo com atenção, talvez um dos mais bem-sucedidos da diáspora portuguesa em gestão internacional.

Estamos a falar de mais de uma dezena de marcas (Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Opel, Peugeot, entre outras), mais de 8 milhões de veículos por ano, assim como vendas consolidadas acima dos 160 mil milhões de euros. E, basicamente, com esta fusão dá origem ao 4º maior fabricante do mundo (3º em volume de vendas).

Os principais objetivos desta fusão serão o aumento da escala, a liderança em alguns mercados (China, em particular) e a redução de custos (convergência de plataformas, otimização de investimentos em I&D, compras, fornecedores, etc.). E isto porque a indústria automóvel enfrenta grandes transformações, sendo a eletrificação um dos maiores drivers para os próximos 10 a 20 anos – assim como a digitalização, condução autónoma e conectividade. E isto afeta toda uma cadeia de valor do cluster automotive e de dezenas de milhares de fornecedores do ecossistema dos componentes.

O tema que levou ao anúncio oficial na referida conferência foi “Construindo um novo líder mundial de mobilidade sustentável”. E será que vai conseguir? Neste artigo, não tento dar respostas sobre o futuro; apenas pretendo apresentar algumas curiosidades, com interpretação minha, da fusão de duas grandes construtoras que, consideradas isoladamente, já eram gigantes. 

E as principais conclusões foram as seguintes:

Great rather then big – Muito interessante ter este pensamento no crescimento e na escalabilidade do negócio futuro (assim como na sustentabilidade e previsibilidade). Ou seja, escala como necessidade para investir em inovação que outros não conseguem fazer; e serem muito bons no que fazem – para dentro e para fora –, impactando comunidades e pessoas. A alavancagem das sinergias e competências dos dois grupos para mais eficiência e efetividade provocará uma poupança estimada na ordem de 5 mil milhões de euros.

Diversity and competitive spirit – 400 mil pessoas de culturas diferentes: é na diversidade, na aceitação das pessoas como são, que está uma das forças de competição futura, visto que o mundo é feito de diversidade. “Doing the right things right” é o lema adotado. Inovação com alguma provocação, muito orientada para a tecnologia.

Exceeding consumers expectations – Tendo a meta da neutralidade carbónica sempre em mente, como também a mobilidade e a conectividade. O peso dos carros elétricos nas vendas será significativo no futuro, assim como a mobilidade e utilização partilhada. A condução autónoma será um dos maiores desafios na gestão das expectativas dos clientes versus o que vão entregar amanhã – mobilidade limpa, segura e acessível. A questão não será o número de modelos elétricos (39 em 2021), mas sim modelos mais acessíveis, no preço, à maioria da população – alargar segmentos e mercados, conseguindo ter, no futuro, uma versão elétrica em cada modelo produzido pela STELLANTIS.

Take aways – A soma das partes será maior que os dois grupos isolados: 40 marcas com o lema de “freedom of mobility” e neutralidade carbónica como foco. 

A questão é que, para atingir estes objetivos, só uma fusão poderia provocar sinergias que libertassem meios para grandes investimentos, não colocando em causa o número de trabalhadores atual, bem como um valor de vendas somado superior às partes, salientando que a regulamentação, cada vez mais apertada, também vai provocar muita pressão nos custos de produção.

Carlos Tavares pode até já ser considerado o 3º homem mais poderoso da indústria automóvel mundial, logo atrás de Akio Toyoda (Toyota) e de Herbert Diess (Volkswagen).

É conhecido como o homem que “faz milagres” no campo da rentabilidade. Lembro que trabalhou diretamente com Carlos Ghosn na Renault (conhecido como “o assassino dos custos extras”). Saliento, também, que o novo CEO da STELLANTIS conseguiu evitar a falência da PSA e multiplicar os resultados nos últimos anos. 

Outro feito foi salvar a Opel do grupo GM (General Motors) na Europa, após compra pela PSA em 2017. O objetivo será não encerrar nenhuma das 27 fábricas (número após a fusão) existentes na Europa.  

Outra particularidade está no nome, que fugiu à normalidade de juntar letras das várias marcas “as usual”. Esta designação, STELLANTIS, traz uma palavra simples de pronunciar em qualquer língua e com uma sonorização forte. A origem vem do latim “stello” e significa “iluminar estrelas”. Logo veremos se brilham!

Sobre o autor 

José Carlos Pereira é engenheiro do ambiente, com MBA Executivo em Gestão Empresarial. É business expert, consultor, formador e speaker na área comercial e de negócios internacionais.

1ª Edição – Janeiro

Nota:
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Geração Z - A Geração Móvel

Geração Z – A Geração da Mobilidade

Opinião de Stefan Carsten

Desafio

Como intervenientes principais de um mercado em rápida mudança, os fabricantes de automóveis têm de se interessar pelas necessidades e desejos futuros das pessoas – especialmente dos clientes que estão a chegar ao mercado. Por esta razão, o Zukunftsinstitut – um think tank de estudos sobre o futuro –, comissionado pela Ford, questionou jovens sobre as suas opiniões e atitudes relativamente à mobilidade. O objetivo do Mobility Zeitgeist Study 2020 era entender melhor a Geração Z. Afinal, a interpretação da mobilidade por parte dos jovens que têm hoje entre 18 e 23 anos significa que novos caminhos terão de ser tomados no futuro. Só assim será possível criar serviços de mobilidade com os quais a Geração Z possa viver.

Conclusão do atual inquérito, com mais de 2 000 pessoas selecionadas aleatoriamente: atualmente, a mobilidade é sinónimo de multimodalidade, flexibilidade e liberdade, mas ao mesmo tempo o automóvel permanece altamente relevante no público-alvo de 18 a 23 anos.

Em detalhe, o estudo mostra o tipo de mentalidade da Geração Z em relação a…

  • Importância e significado da mobilidade e automobilidade: o automóvel continua a ser um componente relevante da mobilidade individual.
  • Mobilidade pós-fóssil: no caminho para uma maior sustentabilidade, os motores a gasolina e diesel são rejeitados pela grande maioria.
  • Procura da mobilidade: utilização das múltiplas possibilidades de mobilidade. Os membros da Geração Z são protagonistas da mudança entre tipos de transporte.
  • Mobilidade partilhada: as novas ofertas ainda precisam de tempo. O alto nível de conhecimento de novos produtos e serviços não resulta ainda num alto nível de utilização.
  • Vida facilitada: a mobilidade porta-a-porta integrada em redes é um desejo importante para o futuro.
  • Equilíbrio trabalho-lazer: a mobilidade deve ser facilitadora de uma cooperação equilibrada entre as duas vertentes.
  • Mobilidade conectada: inovações para uma melhor experiência de mobilidade, mas os dados privados devem permanecer seguros.

Conhecer a Geração Z

A mobilidade, entendida como um todo, goza de um estatuto muito elevado na Geração Z. ‘Estar móvel’ é uma base importante no cumprimento dos seus objetivos de vida e da necessidade de liberdade e flexibilidade. Os valores da Geração Z são complexos e bastante sérios. Giram em torno do sucesso profissional e do valor dos amigos e da família. Na busca pela individualidade num mundo global, as principais prioridades dos jovens, além do desejo por um trabalho com significado e gratificante (83%), são “divertir-se e aproveitar a vida” (83%) e “ter tempo para si e para os seus próprios interesses” (85%). A mobilidade é uma pedra angular importante neste equilíbrio entre trabalho e lazer, que 80% da Geração Z procura, porque para eles a mobilidade é sinónimo de flexibilidade (64%), independência (58%) e liberdade (54%).

A importância do automóvel no mix de mobilidade continua elevada

A Geração Z faz uso das muitas possibilidades de mobilidade. Seleciona os seus meios de transporte de acordo com a forma como melhor se adaptam à sua vida quotidiana no momento. Aqui, o automóvel ainda é muito importante, mas deve ser integrado num estilo de vida ativo e ambientalmente consciente (afinal, 71% dos jovens entre os 18 e os 23 anos já têm carta de condução).

Igualmente importantes para a maioria são os custos globais de mobilidade. Sete em cada dez inquiridos gostariam de ver os preços mais baixos possíveis ou mobilidade a baixo custo. Comprar um carro já não é o objetivo principal da geração mais jovem, uma vez que têm acesso ao automóvel: a Geração Z usa o carro da família ou um carro emprestado. Este estatuto geral do carro aqui e os objetivos de vida da Geração Z também se refletem naquilo que exigem de um carro. Dois terços concordam com a afirmação de que “as viagens de carro em conjunto com amigos são divertidas” (67%). Quase tantos concordam, no entanto, que um carro deve ser, antes de mais nada, prático e funcional (64%) e oferecer o maior número possível de formas ​​de utilização através de interiores adaptáveis (56%).

Quão sustentável é realmente o pensamento da Geração Z?

Os chamados valores sustentáveis, como estilos de vida e de consumo socialmente responsáveis, são considerados importantes por (apenas) 58% dos inquiridos. No geral, contudo, a mobilidade verde é uma grande prioridade entre os jovens adultos: 63% da Geração Z considera os altos padrões ambientais e proteção climática e dos recursos como critérios importantes para garantir que a mobilidade responda realmente às necessidades das pessoas, no futuro. Metade dos inquiridos diz que conduzir um carro ecológico produz uma boa sensação (51%) e está convencida de que deveriam haver mais incentivos para produzir, comprar e utilizar carros elétricos amigos do ambiente (50%).

Minuto AutoMagazine - Volkswagen ID.3

Minuto AutoMagazine: Volkswagen ID.3 1st


O Green Future AutoMagazine foi ao 4º Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico testar o novo 100% elétrico da Volkswagen.

Especificações:

Bateria: 48 kWh

Autonomia WLTP: 330 km

Transmissão:  automática; tração traseira

Potência: 150 kW (204 cv)

Velocidade Máxima: 150 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 7.3 segundos

Bagageira: 341 l

Preço: a partir de 38 017€

Voz ao Utilizador - Telmo Azevedo

Voz ao Utilizador: Telmo Azevedo (Parte I)

O Green Future AutoMagazine esteve à conversa com Telmo Azevedo, um engenheiro que optou pela mobilidade elétrica há já muito tempo.
Nesta primeira parte, fique a conhecer como a mobilidade sustentável surgiu na vida do nosso convidado.

Toyota RAV4 Hybrid - Minuto AutoMagazine

Minuto AutoMagazine: Toyota RAV4 Hybrid FWD

Ensaiámos a versão híbrida, de tração dianteira, do novo Toyota RAV4.

Especificações

Consumo (combinado): 5,6 l/100 km

Transmissão: Transmissão Variável Contínua Controlada Eletronicamente (e-CVT)

Motorização: 2.5 l; 4 cilindros em linha; gasolina + motor elétrico 88 kW

Potência (combinada): 160 kW (218 cv)

Binário máximo: 221 Nm (3 600 – 5 200 rpm)

Velocidade máxima: 180 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 8,4 segundos

Emissões CO2 (combinado, WLTP): 126 g/km

Tração: FWD

Bagageira: 580 l (mín.); 733 l (máx.)

Preço: a partir de 41 000 €

Entrevista com João Rocha, Engenheiro de Condução Autónoma na NEVS

Entrevista: João Rocha, Engenheiro de Condução Autónoma na NEVS

Por Carolina Caixinha

Após concluir o Duplo Mestrado em Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico em Lisboa e na TU Delft na Holanda, João Rocha mudou-se para a Suécia em 2016, onde começou a trabalhar na antiga SAAB, agora NEVS, como engenheiro de software.

Entre 2017 e 2018 foi destacado para um projeto na China, tendo coordenado a equipa responsável pelo desenvolvimento do software de controlo de um veículo elétrico. Após essa passagem pelo país asiático, regressou à Suécia, encontrando-se, atualmente, a trabalhar na área da condução autónoma. 

A carreira Internacional foi a sua primeira opção?

Quando terminei o mestrado em Engenharia Aeroespacial considerei várias opções, tanto em Portugal como fora. Nessa altura, a NEVS apresentou-me um projeto ambicioso com o objetivo de desenvolver veículos elétricos e autónomos. Esta era uma das áreas que mais me interessava e que eu via que tinha um grande potencial no futuro.

Como qualifica o conhecimento dos jovens portugueses face ao resto da Europa, e à Suécia em particular?

Na Suécia, a indústria automóvel tem uma relevância que em Portugal não tem. Tendo isso em mente, há competências e conhecimento que foram desenvolvidos e partilhados durante décadas e que estão bem patentes na cultura sueca. Por exemplo, os automóveis suecos como os Volvos e SAAB sempre foram reconhecidos como sendo dos mais seguros do mundo. Isso não acontece por acaso e nota-se que os engenheiros suecos têm competências a esse nível que no fim fazem a diferença.

Mas isso não significa que os jovens do resto da Europa, e de Portugal em particular, tenham menos ou mais conhecimento que os suecos. Nos últimos anos tem havido um grande crescimento dentro da indústria de novas áreas como a condução autónoma, tecnologia das baterias, conectividade de veículos à nuvem, entre outras, em que jovens de diferentes países podem contribuir com o seu conhecimento e capacidade de inovar.

Posto isto, eu penso que um dos aspetos fundamentais que se deve procurar numa equipa de engenheiros é a diversidade, pois isso incentiva a discussão de várias alternativas que não iríamos ter de outra forma. 

Quem gosta de automóveis certamente tem como referência a SAAB, no entanto o nome NEVS poderá não ser familiar a alguns dos nossos leitores. Pode ilustrar a relação em estes duas marcas e o peso que a NEVS poderá representar na indústria dos carros eléctricos ? 

A SAAB é uma empresa do ramo aeroespacial e que criou o ramo automóvel SAAB Automobile em 1945. Depois de alguns problemas financeiros, a SAAB Automobile faliu em 2012 e foi aí que a NEVS entrou, ao adquirir os ativos da SAAB. Ainda houve um período entre 2012 e 2016 em que se usou o nome SAAB mas, por diversas razões, a partir de 2017 passou simplesmente a ser NEVS. Ainda assim, o legado da SAAB está bem presente, pois muito do pessoal que trabalhava na SAAB está empregado na NEVS.

A NEVS é uma empresa relativamente recente e que desenvolve veículos puramente elétricos. Este é apenas um dos aspetos que a NEVS considera importante para tornar sustentável o futuro da mobilidade. Condução autónoma, eletrificação e a conectividade de veículos à nuvem são também tópicos que estão a transformar a indústria automóvel e em que a NEVS quer ter um papel relevante.  

Quando falamos em veículos elétricos, obviamente projetamos o futuro da industria automóvel e o futuro das cidades. De facto, muitos países acreditam cada vez mais nas vantagens deste tipo de soluções, adotando, inclusive, programas de incentivo à compra de veículos elétricos. Esta é uma das principais tendências da indústria automóvel, componente-chave que atrai o interesse de todos. Na sua opinião, qual a maior importância e vantagens em veículos elétricos ?

Atualmente, é indiscutível que o veículo elétrico apresenta maiores benefícios para a sustentabilidade do futuro do que qualquer outra alternativa. A sustentabilidade tem de ser o principal objetivo, e é importante não esquecer isso.

Quanto aos programas de incentivo de compra de veículos elétricos, acho que seja uma boa ideia até um certo ponto. Acredito que haja ideias interessantes que põem em questão a necessidade de ter um carro privado, principalmente para uma pessoa que viva numa cidade. Um exemplo clássico envolve refletir sobre o número de horas por dia que um veículo privado está a não ser utilizado, parado num parque de estacionamento. Em média, um carro está parado 95% do tempo. Acredito que o crescimento dos veículos elétricos e autónomos vai potenciar uma solução mais sustentável onde exista a maximização da utilização do veículo.

Isto teria implicações que vão para além da indústria automóvel. Por exemplo, ao implementar uma solução desse género, haveria desde logo uma redução no número de veículos, o que faria com que fossem necessários menos parques de estacionamento no centro da cidade e isso iria alterar o próprio desenho urbano, possivelmente com mais espaços verdes e pedonais.

A manutenção dos carros elétricos também é um aspeto muitas vezes referido como uma das principais vantagens. Enquanto que um veículo a combustão costuma ter mais de duzentas peças móveis que se desgastam, um veículo elétrico tem cerca de vinte.

Um dos principais desafios dos fabricantes de automóveis interessados em carros elétricos é a pesquisa e desenvolvimento de baterias que permitam uma elevada autonomia e um carregamento rápido. Que desafios, em termos de inovação, estes vetores apresentam e que obstáculos são ainda necessários ultrapassar ?

Nos últimos anos tem havido desenvolvimentos promissores ao nível da autonomia das baterias, que era um dos fatores que mais limitava. Com valores atualmente à volta dos 300 e 400 quilómetros e com tendência a aumentar, acredito que esta autonomia seja suficiente para o dia-a-dia de grande parte das pessoas. Ainda recentemente, a Tesla começou a aceitar pré-encomendas dum carro com autonomia superior a 840 quilómetros.

A questão dos carregadores também é importante. Não só são precisos mais carregadores em lugares estratégicos, como também é preciso desenvolver a infraestrutura de modo a tornar possível carregamentos mais rápidos.

Da mesma maneira que a Fórmula 1 é conhecida como um importante contribuidor no que diz respeito à inovação tecnológica, a Formula E, onde os carros são exclusivamente elétricos, também tem tido a sua contribuição no desenvolvimento das baterias e de carregadores ultra-rápidos.

É verdade que ainda se está muito longe de conseguir o equivalente a encher um depósito de gasolina em termos de velocidade. No entanto, acho que é importante ponderar se isso é realmente uma necessidade ou se é possível adaptar-se sem comprometer, por exemplo, deixando o carro a carregar durante a noite em casa, ou no local de trabalho durante o dia.

Certamente a realidade da Suécia é bem diferente da realidade de Portugal. Pode identificar as mais relevantes? Pensa voltar para Portugal ou a NEVS e a Suécia já são a sua primeira casa?

Noto que aqui na Suécia há uma maior consciencialização do impacto das nossas ações no equilíbrio ambiental do que em Portugal. Há uma maior preocupação em comprar produtos locais e ecológicos, evitar objetos feitos de plástico e até há quem tenha o cuidado de, antes duma viagem, decidir a forma de transporte baseando-se na pegada de carbono, mesmo que isso implique que a viagem seja mais demorada e cara.

Os países escandinavos desde cedo também começaram a substituir os seus veículos a combustão por carros elétricos, com particular destaque na Noruega. É verdade que aqui há um maior poder de compra, mas os incentivos não monetários foram também factores que contribuíram. Em Oslo, por exemplo, um dos primeiros incentivos foi permitir aos veículos elétricos usar a faixa dos táxis e autocarros para circular dentro da cidade. Em Portugal, os incentivos chegaram um pouco mais tarde, mas nos últimos anos tem-se visto um grande aumento dos carros elétricos nas estradas portuguesas.

Quanto à segunda questão, penso que este momento é o ideal para explorar e desenvolver a minha carreira profissional no estrangeiro. Não tinha planeado especificamente vir para a Suécia, mas foi uma excelente oportunidade que surgiu e eu tive de a aproveitar. É um bom lugar onde sinto que há reconhecimento pelo valor que tenho, e trabalho numa área que me interessa muito, condução autónoma, o que também é cativante. O futuro ninguém sabe, depende muito das oportunidades que aparecerem, mas para já estou bem aqui. É claro que sinto saudades da minha família e amigos em Portugal, mas a tecnologia de hoje em dia ajuda a minimizar a distância.