Quase mensalmente surgem novidades no mercado automóvel, com a indústria automóvel a atravessar um momento de singularidade tecnológica einovação única onde a fronteira entre o hardware e o software se dissolveu permanentemente.
E no epicentro desta metamorfose, surge a NIO que não se pretende apresentar como um mero produtor de veículos automóveis elétricos e inteligentes, mas como a vanguarda que personifica a missão Blue Sky Coming.
O lançamento do NIO ET5 em Portugal é apoiado pelo prestigiado grupo JAP e pretende ser, ou criar, um ecossistema de mobilidade que desafia as convenções estabelecidas pelos gigantes europeus.
Neste ensaio mais detalhado efetuado em estradas portuguesas, usámos a variante sedan de uma empresa que só tem 12 anos, mas que conseguiu em mais de uma década atingir 1 milhão de unidades produzidas e que quer redefinir o que se espera de um automóvel para o futuro.
Em termos de design, o NIO não pretende ser um mero exercício de estilo gratuito, mas um manifesto de uma filosofia da marca que é designada por “Design for Autonomous Driving”. O ET5 foi desenhado em Munique, na Alemanha, e passou a incorporar também neste automóvel do segmento premium, todo o DNA do Hipercarro EP9, que é considerado um dos recordistas de Nürburgring. A silhueta do Nio apresenta pureza de linhas, onde cada contorno, por vezes cria semelhança entre muitos destes carros elétricos atuais, mas onde não serve um propósito visual, mas também aerodinâmico e funcional. Está a ser comum cada marca atribuir um nome à sua dianteira. Aqui a NIO denomina “shark nose” para projetar uma presença poderosa e agressiva que é suavizada por umas luzes diurnas que a marca denomina “double dash” e pelos faróis Matrix LED. Na traseira encontramos o spoiler traseiro que denominado “duck tail” numa clara inspiração Porsche.
Todas estas inovações não são ornamentais, mas contribuem para o coeficiente de 0,24 que garante uma eficiência energética e silêncio a bordo que são apreciados quando o conduzi. Em termos do habitáculo, a marca denomina-o como uma “second living room” onde pretende conviver a ergonomia, o luxo e a sustentabilidade, e que é visível desde o momento que se abrem as portas, numa atmosfera que pretende recriar um bem-estar sensorial, utilizando materiais que apelam tanto ao olfacto como ao tato, mantendo um rigoroso compromisso com a sustentabilidade.
Parece ser uma nova tendência das marcas ter um interior minimalista, mas com muita tecnologia presente, que aqui a marca pretendeu não ser intrusiva. Por exemplo, utiliza tecidos clean+, criados a partir de garrafas de PET e que pretendem oferecer uma textura premium e propriedades acústicas. Ou o Rattan, material sustentável, que é um material natural que substitui os plásticos convencionais e que confere uma sensação orgânica e terrosa ao painel de instrumentos e às portas.
Os bancos, por exemplo, apresentam uma estrutura de 11 camadas com espumas de alta resistência e tecnologia proprietária Newware, em que possui 14 vias de ajuste elétrico, ventilação, massagem com cinco modos que permitem e que foram desenhados para todos os consumidores, reduzindo claramente a fadiga em viagem. O sistema de iluminação é de tal maneira vasto que possui 256 cores que a marca denomina Digital Waterfall para criar uma atmosfera imersiva que é ajudada pelo sistema de som Dolby Atmos com 23 colunas e 1000 W de potência.
Um detalhe que chama a atenção ou que demonstra a atenção da NIO à usabilidade é o ecrã e a sua qualidade, A consola central inclui dois carregadores sem fios com arrefecimento ativo. E, muito importante o cérebro digital Sky OS e o chip proprietário CG NX 9031.

E se o design já cativa, a inteligência artificial define muito do NIO ET5. Introduziu o primeiro processador de condução inteligente do mundo, fabricado num processo de 5 nm, o Shenji NX9031. Desenvolvido internamente e que conta com mais de 50.000 milhões de transistores e uma capacidade de processamento que equivale a quatro dos anteriores chip topo de gama.
E não é um acaso que esta potência computacional permite processar dados dos sensores Lidar e das câmaras que o modelo utiliza com uma latência quase inexistente.
Para termos uma ideia, o image processor integrado consegue processar 6,5 milhões de pixeis por segundo, oferecendo uma clareza de imagem sem precedentes, mesmo sob chuva densa ou baixa luminosidade.
O ET5 não se limita a reagir – até mesmo a Nomi, a assistente virtual é simplesmente divertida pois é uma IA generativa, em evolução constante através de atualizações Over-the-Air (OTA). Em termos de experiência de condução, revelou-se um automóvel muito confortável, com um comportamento, diria, de elevado nível, e que se nota que foi afinado com rigor europeu, mas também porque a marca adotou uma estrutura de cinco braços, tanto no eixo dianteiro como traseiro e muito
alumínio para reduzir a massa não suspensa e aintrodução de um sistema que a marca denomina CDC – Continuous Damping Control – que permite um sistema de amortecimento adaptativo que ajusta a dureza da suspensão até cerca de 500 vezes por segundo, reagindo instantaneamente às imperfeições na estrada. Isso percebe-se, por exemplo, quando conduzi nas ruas empedradas de Lisboa, quando circulei com ele, nas curvas da Serra da Estrela e também nas nacionais onde veio ao de cima a excelência do chassis e do comportamento, mesmo sob chuva intensa, mas também um conforto elevado e uma insonorização muito boa. Por exemplo, no modo confort, percebe-se que a marca consegue absorver as irregularidades com uma suavidade e enorme. No modo sport, obviamente, o carro torna-se mais preciso e também mais tenso, numa viatura que pesa perto de 2200 kg.
A marca coloca-lhe 480 cavalos, um sistema de tração total. E o facto de conseguirmos evoluir e do 0 aos 100 em 4.3 segundos coloca-o logo no campo dos desportivos.
Até mesmo a travagem impressiona com o recurso a quatro pinças de quatro pistões de alta performance, também desenvolvidas internamente pela NIO. Aliás, este parece ser um dos pontos das várias marcas asiáticas – uma estratégia vertical no desenvolvimento do automóvel, onde quase tudo é feito pela própria marca.
O NIO possui o intelligent stop que permite modelar ou melhorar a força de travagem nos últimos metros para eliminar aquilo que acontece, que é o mergulho da frente quando travamos rapidamente e fá-lo para tornar a condução ainda mais refinada.
Para atingir o nível de detalhe que a marca pretendia, todo o desenvolvimento dinâmico foi feito no mítico circuito de Nurburbring e também na Suécia para garantir, por exemplo, a eficiência da bomba de calor e a gestão térmica das baterias.
Construído na China numa das fábricas mais avançadas do mundo, o grupo JAP dá não só o apoio da rede que possui, mas também a experiência de um grupo histórico que lhe aumenta o nível de confiança na sua aquisição e manutenção.
Se pudéssemos fazer uma analogia o NIO quer posicionar-se pela superior tecnologia de um Tesla Model 3 e pelo comportamento típico de um BMW.
A persona que o compra é um Tech lover, ou seja, trata-se de alguém que procura performance, sustentabilidade, prazer de condução, conforto, qualidade e que valoriza muito a tecnologia. A marca e começa os seus preços nos 59.900€ podendo ir até aos 70 2.500 €.
Uma nota final para o motivo da marca utilizar as antenas sobre o vidro dianteiro que tornam, de certa forma o carro mais tecnológico mas não tão apelativo. Na verdade, elas são o cérebro visual do NIO com a câmara central LIDAR- light detection ranging – que, ao disparar lasers está constantemente a mapear o ambiente à sua volta num modelo 3D com uma precisão milimétrica, lasers que não afetam, obviamente, o olho humano.
Portanto, o Lidar tem uma vantagem é que não é afetado nem pela falta de iluminação nem de encandeamento e permite que o NIO veja obstáculos, peões e outros veículos até 500 m de distância, mesmo sob chuva intensa ou nevoeiro. Já as duas câmaras que estão nas laterais e que são de alta resolução, têm aquilo que se pode denominar uma visão de águia. Como elas estão posicionadas no ponto mais alto da carroçaria permitem uma visão desobstruída e acima da visão dos outros carros para ajudar a reconhecer sinais de trânsito, semáforos e manutenção da faixa de rodagem.
A Nio, por aquilo que investiguei, quis adotar este design tipo sentinela por questões muito técnicas, mais que visuais. Ao colocá-lo no topo de tejadilho pretende “ver por cima” os automóveis da frente, para poder antecipar a travagem ou perigos que o sensor no pára-choques não iria detetar, mas também, por outro lado, ao estar longe do chão, protege estas lentes da lama, da pedra e detritos.
Embora possamos considerar este visual futurista um pouco estranho, estas peças, no fundo, são essenciais para garantir um sistema de condução autónomo e segurança ativa que a NIO pretendeu incorporar neste automóvel.
