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Green Future-AutoMagazine

O novo portal que leva até si artigos de opinião, crónicas, novidades e estreias do mundo da mobilidade sustentável

Opinião

HS, O ANTI-CASPA EUROPEU

Desta vez, vamos começar pelo fim. O EHS é um excelente produto e, com um verdadeiro “preço canhão”, tem tudo para tê-lo em consideração. Reforço: atenção, deve mesmo considerá-lo. O EHS tem tudo para ser um sucesso para a marca do grupo SAIC.

Este modelo foi lançado em 2018, na China, e só chegou à Europa em 2019/2020, razão pela qual não se veem muitos HS de primeira geração. Mas nesta segunda geração tudo mudou. A geração que testámos foi lançada em 2024, no mítico festival britânico Goodwood. Temos agora um design mais europeu do que asiático e um preço… a concorrência que se cuide.

A gama começa nos 29 mil euros para a versão a gasolina e, no caso do nosso convidado, nos 35 mil euros, já que se trata de um plug-in hybrid. E aqui está um dos grandes trunfos deste MG: os benefícios para quem tem uma empresa. Ainda assim, mesmo para particulares, este SUV é uma proposta muito realista para a atual situação económica que vivemos.

A MG sempre foi uma marca conhecida dos europeus, mas durante cerca de 13 anos esteve fora dos seus radares. Comprada por um grupo chinês em 2007, só em 2020 voltou a marcar presença no nosso mercado. Hoje, isso mudou: é uma marca com um line-up variado, propostas muito interessantes e preços apelativos. Se no início houve alguma dificuldade em afirmar-se no mercado europeu, agora já faz parte dele.

Quando fui buscar o EHS, confesso que estava expectante. Uns meses antes, tinha testado um ZS híbrido que, apesar de algumas máculas (sobretudo na caixa e na harmonia do grupo propulsor), se revelava uma opção interessante. O ZS acabou por reforçar essa boa impressão e deixou-me com uma “pulga atrás da orelha”. Assim, quando fui buscar este companheiro de fim de semana, as expectativas eram elevadas.

Assim que recebo a chave e entro no carro, reparo nos estribos – um acessório visto em carros de segmento superior e que muito poucos concorrentes oferecem. Depois dos estribos, apercebo-me de um interior bem montado, com materiais suaves ao toque. As molduras das portas seguem o mesmo caminho até às portas de trás – sim, às portas de trás! Há muito carro que se diz premium e não oferece este “luxo”.

Deparámo-nos com duas telas de grandes dimensões, com uma qualidade visual afável. O que já não é nada “amistoso” é a quase total ausência de botões: praticamente tudo é operado via ecrã, um ponto negativo deste “canhão” asiático-britânico. Existem alguns botões físicos, os autoproclamados shortcuts, que permitem operar o desembaçamento dos vidros (frente e trás), os quatro piscas, o mute do sistema de som e o botão home. O volume do rádio é controlado através do volante, o que embora não seja ideal, passados alguns quilómetros, já se torna natural.

No exterior, o EHS apresenta um design bastante atrativo. Na frente, destacam-se várias zonas cromadas, uma zona central com filete cromado e um para-choques com uma “boca” cromada que lhe dá uma certa imponência. Nas extremidades do para-choques, encontramos umas entradas de ar falsas que lhe conferem um aspeto mais agressivo. O capô apresenta dois vincos centrais e, nas extremidades, uns volumes que lhe dão um ar musculado.

De perfil, sobressaem os espelhos retrovisores montados nas portas – que dão sempre um requinte extra – e, novamente, a presença dos estribos, conferindo-lhe um charme especial. Nas laterais, requinte e charme: gostei.

A traseira é, para mim, o melhor deste EHS. Uma faixa LED percorre toda a largura e os faróis apresentam um desenho em “X” que lhe fica a matar.

A mala tem abertura elétrica e oferece 443 litros de capacidade. Face à versão a combustão, há uma perda de 64 litros… a vantagem é podermos percorrer, segundo a marca, até 100 km em modo eléctrico. Na prática, conseguimos fazer cerca de 80 km – nada mau.

Este EHS apresenta um bom acabamento e materiais de qualidade superior, que surpreendem. Tendo em conta o preço, este britânico dá um verdadeiro “banho” de qualidade a muitos dos seus concorrentes. As já referidas telas, ambas de 12,3 polegadas, apresentam bons grafismos e são fáceis de utilizar. Apenas um pequeno apontamento: o ecrã do sistema de navegação é demasiado direito nas extremidades; se fosse ligeiramente curvo, estaria perfeito.

Temos Apple CarPlay sem fios, com um funcionamento correto. No lado esquerdo da tela central existem botões de acesso rápido, incluindo os faróis de nevoeiro. Confesso que só dei por isso depois de ter estado, sem exagero, cerca de 15 minutos à procura do local onde os ligar. Entrei em submenus, procurei um botão físico (que não existe), voltei aos submenus e lá encontrei. Só depois reparei que o comando estava mesmo “à frente” dos meus olhos.

As câmaras de estacionamento têm boa qualidade. Em baixas velocidades, quando mudamos de direção e acionamos o pisca, o sistema ativa automaticamente a câmara dos retrovisores – muito prático!

A consola central é muito sólida e não mexe um milímetro, algo que nem sempre acontece em modelos concorrentes, onde por vezes temos consolas centrais que abanam “por todos os lados”. Um ponto positivo para este MG.

A unidade ensaiada tinha pouco mais de 4 mil quilómetros e algo que não posso deixar de mencionar é que o banco do condutor já abanava. Importa, contudo, referir que se tratou de um caso isolado, pois numa ida a um concessionário da marca pude verificar que a viatura em que me sentei não apresentava esse problema.

Em termos de segurança, este SUV oferece vários sistemas que cumprem adequadamente o seu propósito. Houve, no entanto, uma situação caricata: a unidade tinha o sensor de ângulo morto com algum problema, pois, nos três dias em que estivemos com a “máquina”, não funcionou uma única vez. Mais uma vez, importa sublinhar que se tratou de algo específico da viatura testada, pois noutras unidades que vi na estrada o sistema operava corretamente. Tirando estas duas adversidades, e embora a ausência de botões continue a ser um hiato (já que a maior parte das definições do MG é operada via ecrã), podemos dizer que o interior deste EHS surpreende.

No campo do grupo propulsor, há duas versões: HS a combustão e EHS em plug-in. Na primeira, temos um bloco 1.5 turbo de 170 cv; na segunda, temos 272 cv, mais 14 cv face ao modelo anterior.

As baterias também evoluíram, passando agora a ter 21,4 kWh, com uma potência máxima de carregamento de 7 kW. Numa tomada “lá de casa”, o carregamento pode ser feito em cerca de 10 horas. Imaginando que chega do trabalho por volta das 19h e sai às 7h30 da manhã, não será qualquer inconveniente. Este tempo reduz-se para cerca de 3 horas quando utilizamos um posto de carregamento ou uma wallbox.

Em modo elétrico, conseguimos circular cerca de 80 km, maioritariamente em autoestrada, o que consideramos um bom valor. Com o depósito de gasolina cheio, conseguimos percorrer cerca de 505 km. As médias do motor térmico rondam os 7,2 l/100 km. A regeneração apresenta três níveis e podemos escolher como queremos andar com o britânico: em modo híbrido ou elétrico.

O EHS está disponível em dois níveis de equipamento: Comfort e Luxury. Qualquer versão que escolha vem bem equipada. A unidade ensaiada era a Comfort e posso dizer que, sinceramente, não senti falta de nada. Esta segunda geração cresceu em todos os sentidos, face à primeira geração: comprimento, distância entre eixos e capacidade da mala.

A posição de condução é correta, embora elevada, e as regulações do volante são boas. Apenas achei as hastes dos piscas e do limpa-para-brisas algo ásperas – fica o apontamento jornalístico.

Em termos dinâmicos, as condições meteorológicas não permitiram explorar todo o potencial deste SUV do grupo SAIC, mas o EHS mostrou-se competente. Notaram-se algumas transferências de peso, sobretudo em curvas-contra-curvas. Em piso molhado e curvas fechadas, o “inglês” revelou alguma tendência para fugir de frente e para varrer.

Por fim, no que toca aos modos de condução, existem três – Eco, Normal e Sport – que alteram (não muito…) o comportamento do carro. No Eco e no Normal, a diferença é mínima; já no Sport, notamos o acelerador mais sensível e a direção ganha peso, embora excessivo e algo artificial. Ainda assim, não são modos apenas para “inglês ver”.

Este MG tem argumentos muito fortes para se destacar no segmento, uma vez que oferece exatamente aquilo que o consumidor europeu gosta: é alto, tem estilo, um interior sólido e um preço muito competitivo.

Assim, podemos dizer que este EHS veio baralhar as contas do segmento. É uma proposta racional, sem grandes alaridos. Para quem procura um SUV que permita andar em modo elétrico, com espaço q.b. e um preço sensato, pode muito bem ter encontrado o tal.

Fluxo Humano: Como os Veículos Autónomos Vão Finalmente Resolver a Mobilidade Rural

Durante décadas, aceitámos uma verdade simples: um bom transporte público é um privilégio urbano. Se vive numa aldeia, tem carro. Mas e se esta suposição estiver prestes a ruir?

A Divisão da Mobilidade

Hoje, apenas 14% dos alemães (o que provavelmente é semelhante em toda a Europa) têm acesso a transportes públicos atrativos. O resto – particularmente nas zonas rurais – enfrenta uma realidade dura: as viagens em transporte público demoram mais do dobro do tempo do que de carro, com tempos médios de espera de 26 minutos. Isto não é apenas inconveniente; é um problema democrático. Estudos recentes mostram uma correlação clara entre maus transportes públicos e o aumento do apoio a partidos extremistas em regiões mal servidas. Quando as pessoas se sentem abandonadas pelas infraestruturas, sentem-se abandonadas pelo próprio Estado.

Para Além dos Horários

Human Flow descreve uma mobilidade que parece sem esforço, espontânea e intuitiva. É a sensação de movimento sem fricção – a forma como os habitantes das cidades vivem hoje o transporte, mas estendida a todos, em todo o lado. O conceito afasta-nos da pergunta “Que linha passa a que horas?” e aproxima-nos simplesmente de pensar “Vou agora.”

Isto não é pensamento utópico. A tecnologia existe. O enquadramento legal está em vigor (pelo menos na Alemanha desde 2022; noutros países europeus o tema ainda está em debate público). O que falta é a vontade política de integrar, em vez de apenas inovar.

O Catalisador Autónomo

Um estudo inovador da DB AG (Caminhos-de-Ferro Alemães) revela como os veículos autónomos poderiam transformar este panorama – mas apenas se forem implementados corretamente. A investigação modelou três cenários para a Alemanha em 2045, cada um com resultados drasticamente diferentes.

Cenário 1: Automação Sem Ambição
O “Cenário Base” limita-se a automatizar as linhas de autocarro existentes. Resultado? Os custos operacionais descem 14%, o serviço aumenta 23% – mas a procura quase não muda. Porquê? Porque esperar 26 minutos por um autocarro que demora o dobro do tempo de uma viagem de carro continua a ser pouco atrativo, mesmo que seja sem motorista.

Cenário 2: A Armadilha do Robotáxi
O “Cenário de Concorrência” introduz robotáxis operados por privados a par do transporte público. Parece promissor? O estudo mostra que seria catastrófico: o tráfego rodoviário nas áreas metropolitanas aumentaria 30–40%, o transporte público perderia passageiros e receitas, e os custos sociais anuais da mobilidade aumentariam em 56 mil milhões de euros. Crucialmente, as zonas rurais veriam quase nenhuma melhoria – os operadores privados simplesmente não serviriam regiões de baixa densidade e pouco rentáveis.

Cenário 3: Inteligência Integrada
O “Cenário de Serviço Público” integra 850 000 vaivéns autónomos num sistema abrangente de mobilidade pública. É aqui que o Human Flow se torna real:

  • Tempos de espera reduzem-se de 26 para 13 minutos nas zonas rurais
  • 5–13 minutos desde o desejo de mobilidade até ao embarque
  • Tempos de viagem apenas 10% mais longos do que de carro particular (comparado com 112% hoje)
  • Poupança mensal de 170 € para quem muda do carro
  • Redução de 11% no congestionamento urbano
  • Redução de 20% nos subsídios públicos, apesar de um serviço muito mais alargado
  • Redução de 25% na posse de automóveis privados (menos 12 milhões de veículos)

A diferença? Integração. Os vaivéns autónomos a pedido não competem com as linhas de autocarro – alimentam-nas. As aplicações agregam todos os modos de transporte numa única conta. Acordos de nível de serviço garantem disponibilidade. O sistema torna-se tão intuitivo como usar um smartphone.

O Padrão Global

Curiosamente, o Human Flow não é novo – tem sido uma realidade analógica em grande parte da Ásia e de África há décadas. Jeepneys em Manila, matatus em Nairobi, trotros em Acra: estes sistemas de transporte informal sempre funcionaram segundo uma lógica responsiva à procura, partindo quando cheios e ajustando rotas de forma flexível. As plataformas digitais a pedido são, na essência, a formalização e algoritmização de princípios que já funcionam diariamente para milhares de milhões de pessoas.

Boa Prática: Sprinti

O futuro já está a chegar a Hanôver, na Alemanha. Desde 2021, o serviço Sprinti transportou mais de 3,5 milhões de passageiros usando vaivéns a pedido totalmente integrados no transporte público (mas sem automação). Os utilizadores não pagam qualquer suplemento além do seu bilhete habitual. Espera média: 18 minutos. Procura diária: 4 400 pessoas, subindo para 6 500 aos fins de semana. O mais crucial: 40% dos utilizadores teriam, de outra forma, conduzido o seu próprio carro.

A Escolha à Frente

A mensagem do estudo é inequívoca: a condução autónoma vai remodelar a mobilidade de qualquer forma. A questão é se cria um mercado de 74 mil milhões de euros para uma mobilidade pública integrada ao serviço de todos, ou se se fragmenta em sistemas concorrentes que aumentam o tráfego, os custos e a desigualdade.

Para Portugal, com as suas próprias clivagens entre o rural e o urbano, as implicações são claras. A tecnologia para criar Human Flow existe hoje. O que é necessário é a visão para a implementar como um sistema, e não como projetos-piloto isolados.

A mobilidade não é apenas sobre deslocação. É sobre acesso ao trabalho, à saúde, à educação e à comunidade. É uma infraestrutura para a democracia. Quando finalmente levarmos o Human Flow às zonas rurais, não estaremos apenas a melhorar o transporte. Estaremos a manter regiões vivas, economias competitivas e sociedades ligadas.

A carrinha autónoma e elétrica está a tornar-se o novo autocarro de linha. E é exatamente disso que a mobilidade rural precisa.

XPENG G6 e G9 A Revolução silenciosa, premium e tecnológica

A XPENG é uma empresa chinesa ainda relativamente desconhecida em Portugal e na Europa mas, com produtos como o G6 e G9 rapidamente se podem candidatar a competir com os líderes nos veículos elétricos inteligentes.

Repare-se que na minha frase não existe um erro no parágrafo anterior, pois não escrevi “veículo elétrico” mas acrescentei “inteligente”. Este posicionamento é crucial, pois marca a transição da era dos veículos elétricos para a dos “smart EVs”. 

Mas como todas as marcas, recordemos a sua história, até muito similar à da Leapmotor. Foi fundada em 2014 como uma startup e  a marca estabeleceu desde logo objetivos ambiciosos, desde o design, desenvolvimento rigoroso e construção de automóveis elétricos autónomos. 

Logo em 2014 o foco surgia na mobilidade sustentável e na oferta de experiências inovadoras ao consumidor a que adicionaram a inteligência artificial (IA) e definiram como missão  “mover o mundo de uma forma inteligente”, transformando a mobilidade numa extensão do próprio ser humano. 
Esta ambição da sua proposta de valor parece inalcançável mas desenganem-se: é real

Eles constroem produtos de qualidade superior que vão além do convencional, com a marca a apostar não só em automóveis, mas também em veículos voadores.

A evolução da marca incluiu o lançamento do SUV elétrico G3 e, posteriormente, o P7, um sedan premium que integrou tecnologia avançada de direção autónoma. Em 2021 e 2023, a XPENG lançou o P5  e a primeira versão do SUV premium G9, capitalizando nele todo o seu know-how tecnológico. A partir de 2024, a marca iniciou a sua entrada nos mercados europeus, pretendendo competir com rivais como a Tesla, BYD…, oferecendo propostas nos segmentos de sedans, SUVs e MPVs.

Já vimos que a inovação da XPENG transcende o automóvel com os carros voadores mas a marca lançou o seu primeiro robô humanoide, uma prova da sua capacidade em integrar AI em hardware real e o robô, de tal forma está desenvolvido na sua locomoção que chegou a ser confundido com um ser humano e capitalizou a atenção global, demonstrando o patamar de desenvolvimento da XPENG nas áreas da robótica e aviação, tendo a marca de, no palco, cortar o tecido envolvente para demonstrar que era mesmo um robot. Isto diz bem do desenvolvimento da marca

No mercado atual, onde a vanguarda tecnológica é disputada, a XPENG compete de igual para igual com todas as marcas elétricas. 
Lançou inovações como os modelos de AI de linguagem visual e ação (visual language action), uma tecnologia que permitirá aos veículos e robôs interpretarem comandos visuais e atuarem de forma autónoma e tem projetos que incluem robotáxis e veículos de condução autónoma de nível 4, utilizando AI em tempo real para navegação em zonas urbanas, com projetos-piloto já a serem desenvolvidos na China.

O robô humanoide da marca, que se acredita poder ser usado em fábricas, lojas e habitações, utiliza três chips Turing, desenvolvidos internamente pela XPENG. Esta opção pelo desenvolvimento in house de componentes, incluindo chips próprios, visa apresentar produtos mais robustos e integrados mas também reduzir custos, numa estratégia de gestão vertical.

Alguns estudos sugerem mesmo que os chips utilizados pela XPENG podem ser superiores aos Nvidia em eficiência para ED Computing.

Na mobilidade aérea, a XPENG está a desenvolver veículos voadores, sendo o Land Aircraft Carrier o mais avançado, um veículo modular que já realizou o seu voo inaugural. Este utiliza AI para navegação autónoma e descolagem vertical.

A XPENG para se aproximar dos padrões europeus colocou o seu centro de inovação e desenvolvimento em Munique, onde aposta fortemente na AI multimodal — conjugando visão, linguagem e ação, tecnologia que sera a base para futuros sistemas de condução autónoma que processarão dados de câmaras e LIDAR para decisões em milissegundos. No interior do veículo (experience in vehicle), a XPENG irá utilizar a IA para assistentes de voz personalizados, entretenimento e, para predizer as necessidades do condutor ou escolher a melhor rota consoante o estado de espírito do mesmo.

Na apresentação nacional, a XPENG revelou a sua estratégia baseada em produtos apelativos, muito bem construídos e com materiais premium. Ambos os modelos (G6 e G9) que tive a oportunidade de testar,  destacam-se pela qualidade, “beleza”, ergonomia e usabilidade, oferecendo veículos intuitivos onde tudo surge no local certo e funciona do modo correto.

A Apresentação dos Game Changers

A XPENG apresentou assim, o que ela refere como  os veículos mais tecnológicos e com o carregamento mais rápido do mercado em Portugal e, de facto, a inovação parece ser o ADN da marca. Foi revelado que, no campo da robótica e IA — os futuros game changers da indústria —, a XPENG está já na liderança.
A marca sublinhou o seu sucesso em solo nacional, onde se tornou o terceiro país da Europa com o maior market share e marcadora de tendências, sendo a primeira marca mundial a apresentar: um assistente de condução autónoma, a primeira a desenvolver uma plataforma de carregamento SIC para carregamento ultrarrápido, e a apresentar os primeiros veículos com a tecnologia de carregamento 5C absolutamente revolucionária. 

Os modelos G6 e G9 são responsáveis por mais de 90% do volume de vendas em Portugal e por isso, o Product Manager referiu que o principal objetivo era redefinir o novo patamar do carregamento em Portugal. 
Começemos pelo XPENG G6, o SUV Coupé  –  trata-se do veículo mais vendido da XPENG em Portugal, representando mais de 65% do mix de vendas.
Design e interior premium, o  G6 apresenta um design inspirado numa nave espacial, com superfícies contínuas e linhas limpas, e um coeficiente aerodinâmico de 0,248 — uma referência no mercado. O interior surge renovado  com o conceito Super Star-Ring, utilizando materiais ainda mais suaves ao toque, incluindo acabamentos em camurça e tablier com efeito de madeira. Os bancos dianteiros, aquecidos, ventilados e com memória, incluem agora uma função de massagem e são reguláveis em 12 posições. 

Em termos de espaço a marca declara que o G6 mantém um espaço líder do segmento na fila traseira. Sobre a tecnologia a bordo, o G6 integra um ecrã tátil central ultra-HD de 15,6 polegadas, complementado por um painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas. 

O ecossistema XPENG e a APP são fornecidos gratuitamente, e foi introduzida a tecnologia de cartão NFC para bloqueio e desbloqueio da viatura. A marca tem como objetivo alcançar as 5 estrelas Euro NCAP com uma segurança reforçada com uma estrutura 4-3-4 e uma bateria com proteção de nível balístico, capaz de resistir a temperaturas de 1.000 °C e pressões laterais de, até 80 toneladas. De série o modelo inclui todos os sistemas de ajuda à condução (ADAS), bem como o estacionamento remoto e o modo sentinela, com exceção da assistência à mudança de faixa.

No centro da inovação deste produto surge a plataforma Integral de 800V em Carboneto de Silício (SiC), que utiliza uma nova bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP). A marca implementa a tecnologia 5C Supercharging, permitindo um carregamento dos 10% aos 80% em apenas 12 minutos e uma potência máxima de carregamento que atinge os 451 kW, sendo a mais elevada no segmento. Deste modo, a autonomia é de até 535 km em ciclo WLTP combinado onde a versão de entrada do G6 carrega a um mínimo de 382 kW e surge disponível a partir de 37.950 euros + IVA.No curto ensaio ficaram demonstradas todas as qualidades anunciadas, desde o desenho clean e minimalista, funcional e de qualidade, com destaque para o comportamento, acústica, conforto, qualidade e usabilidade.

O XPENG G9 pode definir-se como a mestria do luxo na marca e da tecnologia preditiva pois é o SUV de topo – em andamento as palavras são dificeis para o descrever –   combinando design europeu atemporal com mobilidade elétrica de última geração.

A XPENG apostou forte neste modelo e quis com o interior do G9 redefinir o luxo no segmento, com mais de 95% das superfícies revestidas com materiais suaves ao toque, com  bancos premium que incorporam pele nappa (opcional no Pack Premium) e espuma de recuperação lenta de 26 mm, com massagem Shiatsu de 10 pontos. Já nos bancos traseiros  oferecem reclinação totalmente elétrica, aquecimento, ventilação e massagem. 

No habitáculo encontramos dois ecrãs de infoentretenimento de 14,96´´ e um teto panorâmico triplo em vidro prateado, que é exclusivo no segmento e que  bloqueia 99,99% da radiação UV. Assino por baixo os parágrafos anteriores mas quando a marca falou da suspensão  e das suas capacidades que me surpreenderam na teoria, foi quando o conduzi que percebi exatamente os motivos para o destaque deste sistema.  A suspensão pneumática inteligente de dupla câmara é exclusiva no segmento e é preditiva, funcionando em conjunto com as câmaras frontais de alta resolução para ler a estrada. Quando o sistema deteta lombas ou irregularidades, ajusta ativa e preditivamente a altura do chassis e a dureza da suspensão antes de o veículo passar no obstáculo. Este ajuste é feito rapidamente (em menos de 2 segundos para mudança completa de altura), proporcionando uma experiência de condução extremamente suave.
Tal como o G6, o G9 utiliza a Plataforma integral de 800V em SiC e a tecnologia 5C Supercharging. A bateria LFP possui capacidade de 93,1 kWh nas versões Long Range e Performance o que o torna, segundo a XPENG líder de segmento na velocidade de carregamento, necessitando de apenas 12 minutos para carregar dos 10% aos 80%. A potência máxima de carregamento é de 525 kW — a mais elevada do setor. Deste modo, em apenas 10 minutos, o G9 consegue recuperar mais de 450 km de autonomia. Os próprios gestores da marca, testaram em Portugal o sistema para poderem ser ainda mais assertivos com exemplos reais.  
O novo XPENG G9 surge disponível para entrega imediata a partir de 50.800 euros +IVA para a versão Standard Range (preço para empresas) num produto que demonstra o quão bom pode ser um produto premium apto para competir num mercado mais restrito e onde qualquer detalhe faz enorme diferença. Do ensaio retive o  mesmo que do G6, só que surpreende como se conseguiu ainda exponenciar ainda mais aqueles itens.

Em jeito de conclusão, a XPENG demonstra claramente que a sua ambição reside na aposta em produtos premium, de grande qualidade, mas sobretudo muito tecnológicos, fazendo recurso intensivo da inteligência artificial (muitas vezes desenvolvida in house) e de uma grande aposta na inovação, sendo que a marca quer moldar a experiência de mobilidade do futuro.

Ser o maior não basta

Portugal lidera a produção europeia de bicicletas, com 1,8 milhões de unidades em 2023, o que representa 18,6% da quota de mercado. Mas a verdadeira transformação reside na mudança de modelo: deixámos de ser apenas montadores para assumir o papel de criadores de componentes críticos.

A Agenda AM2R é um consórcio de 47 entidades, financiado com €213 milhões pelo PRR/Next Generation EU e visa reestruturar o setor das duas rodas numa engenharia industrial voltada para a autonomia europeia.

Exemplos disso são a Carbon Team, em Vouzela, que é a primeira fábrica automatizada de quadros em carbono fora da Ásia; a Triangle’s, em Águeda, que produz quadros de alumínio robotizados para e-bikes; a Miranda e a SRAM Portugal que desenvolvem transmissões de alto valor acrescentado. O BIKiNNOV, centro tecnológico único na Península Ibérica, que presta serviços às PME dando a acesso a túnel de vento, certificação internacional e prototipagem avançada, entre outros.

Mas esta evolução não é acidental, é resposta estratégica à dependência asiática exposta durante a crise pandémica. Hoje, Portugal entrega componentes críticos em horas, não em semanas e com uma muito menor pegada carbónica.

Na Eurobike 2025, o stand nacional, com quase 1000 m², demonstrou a plena cadeia de valor, da fibra ao sistema conectado. Em Taipei Cycle, Portugal apresentou-se como parceiro industrial, não apenas fornecedor, transformando o “Made in Portugal” num selo de excelência tecnológica e de serviço.

A transformação, em curso, pretende criar 1.114 novos postos de trabalho, muitos deles, altamente qualificados: engenheiros mecatrónicos, técnicos de automação e designers sustentáveis.

O futuro pertence a quem projeta, certifica, inova e desafia.

Portugal já não se vê apenas a fábrica da Europa — trabalha para ser um laboratório da mobilidade suave europeia.

Agora, é continuar com direção, ambição e visão de longo prazo, porque quem constrói o futuro, não o aguarda: fabrica-o.

Grupo JAP estreia NIO em Portugal com tripla aposta e lança firefly para elétricos compactos

O Grupo JAP assinalou a chegada de duas novas marcas ao mercado português, reforçando a sua estratégia de mobilidade sustentável e inovadora. A marca chinesa NIO, já reconhecida globalmente pela identidade premium e visão tecnológica, estreia-se com três modelos — ET5, ET5 Touring e EL6 — e anunciou em paralelo a introdução da sua nova submarca, Firefly, dedicada ao segmento dos elétricos compactos urbanos.

Sob o lema “Blue Sky Coming”, a NIO pretende criar uma comunidade nacional que reflita o compromisso com um futuro mais inteligente, sustentável e emocionalmente envolvente. A gama inicial combina desempenho elétrico, rigor de engenharia e design contemporâneo. O ET5 destaca-se pela silhueta moderna e assinatura luminosa; o ET5 Touring traduz o estilo de vida NIO numa carrinha desportiva versátil e o EL6, SUV pensado para o quotidiano, privilegia conforto e tecnologia intuitiva.

Todos os modelos oferecem interiores luminosos e acolhedores, com teto panorâmico, sistema de som Dolby Atmos e o assistente de IA NOMI, capaz de gerir infoentretenimento, navegação e funções do veículo. A mais recente atualização FOTA integra tecnologia GPT, tornando o NOMI um dos sistemas de inteligência artificial automóvel mais avançados do mundo. A segurança é garantida por estruturas em aço e alumínio, sete airbags e 24 funcionalidades de proteção ativa, com classificação máxima de 5 estrelas Euro NCAP.

Em termos de performance, os ET5 e ET5 Touring aceleram dos 0 aos 100 km/h em 4 segundos, enquanto o EL6 cumpre em 4,5 segundos. As autonomias variam entre 406 e 590 km (WLTP), com preços a partir de 59.900€ para o ET5, 62.500€ para o ET5 Touring e 66.900€ para o EL6.

A aposta do Grupo JAP não se fica pela NIO. A Firefly, nova submarca, surge para democratizar a mobilidade elétrica, oferecendo modelos compactos acessíveis, sustentáveis e conectados. Inspirado por um design oval marcante, o firefly apresenta assinatura luminosa distinta, materiais reciclados e teto panorâmico de 1 m². O habitáculo combina soluções práticas de arrumação com tecidos 100% reciclados, bancos aquecidos e, na versão Comfort, ventilação, massagem e sistema de fragrância exclusivo.

O ecossistema digital integra o sistema Aster, com atualizações OTA e navegação avançada, e o assistente de IA LUMO, que apoia o condutor em multimédia e controlo do veículo. O firefly oferece ainda Apple CarPlay, Android Auto e aplicação móvel para gestão remota.

Desenvolvido sobre a plataforma elétrica FT1, o modelo dispõe de motor de 105 kW, aceleração 0–100 km/h em 8,1 segundos, consumo médio de 14,5 kWh/100 km e autonomia até 330 km (WLTP). O carregamento rápido permite recuperar 10–80% em apenas 29 minutos. A segurança é reforçada com carroçaria em aço de alta resistência, sete airbags e 24 sistemas de assistência à condução, também com classificação Euro NCAP de 5 estrelas.

Disponível em duas versões — Select (29.900€) e Comfort (31.490€ em preço de lançamento) —, o firefly oferece garantia de 60 meses para o veículo e 96 meses para a bateria.

Com estas duas apostas, o Grupo JAP abre um novo capítulo na mobilidade elétrica nacional: a NIO posiciona-se como marca premium de referência, enquanto a Firefly pretende redefinir o segmento dos compactos urbanos, tornando a mobilidade elétrica mais próxima, sustentável e emocional.

Os veículos autónomos particulares estão a chegar

Veículos autônomos (AV) não são mais uma coisa do futuro. A Robotaxis opera comercialmente em cinco cidades nos EUA e uma dúzia na China, com uma e quatro empresas, respectivamente, todas com grandes planos de escala. Os dois líderes em termos de implantação, Waymo da Alphabet e Apollo Go da Baidu, agora entregam mais de 250.000 viagens pagas totalmente autônomas por semana, com frotas de cerca de 2.000 e 1.000 veículos. Essas empresas estão atualmente aumentando sua taxa de dimensionamento. Eles estão chegando agora para a Europa, não apenas com táxis robóticos, mas também com ônibus autônomos.

As principais montadoras desempenharam papéis fundamentais na formação do cenário de direção autônoma, investindo fortemente em tecnologia e parcerias. Desde meados da década de 2010, eles também fornecem as plataformas necessárias para desenvolvedores de sistemas de direção autônoma (AD) implantarem sua tecnologia. Sem eles, robotaxis e ônibus autônomos não existiriam.

Ondas Incrementais de Parceria entre OEMs e Desenvolvedores de Tecnologia AD

Os primeiros parceiros, ou seja, FCA, JLR, Ford, BAIC, GAC, GM, Toyota, Nissan, Hyundai forneceram veículos padrão que exigiram retrofits significativos para fornecer redundância para funções de segurança, bem como potência e refrigeração extras. Isso resultou em altos custos por veículo.

Uma segunda onda de veículos surgiu que são projetados especificamente para servir como robotaxi ou ônibus autônomos, evitando assim modificações caras. Esses veículos são projetados para uso comercial, ou seja, longos ciclos de vida e prontidão para transportar passageiros descuidados. Os OEMs atrás deles são menos: Zoox para suas próprias necessidades, Zeekr de Geely para Waymo, JMC para RT6 de Apollo Go e Yutong para Robobus de WeRide.

Uma terceira onda de parcerias entre desenvolvedores de sistemas AD e OEMs se concentra mais em derivados de veículos padrão que são predispostos por design para hospedar um sistema de Nível 4, ou seja, “plataforma AD-ready” para fins de uso compartilhado. Como tal, esses veículos fornecem uma base de custo relativamente baixo graças às suas origens de alto volume. Eles também exigem muito menos invasivos, portanto, uma personalização mais barata antes de poderem se juntar a frotas de robotaxis ou ônibus autônomos. No entanto, eles podem não ser necessariamente projetados para uso intenso e longos ciclos de vida, como os descritos anteriormente. Hyundai, Toyota, Renault e Stellantis, entre outros, estão engajados nesse caminho, respectivamente, com Waymo para os dois primeiros, WeRide e Pony.ai.

Que tal inverter o roteiro? E se um veículo fosse projetado com capacidade de direção autônoma (Nível 4), com foco principalmente no uso privado – mas com o potencial de ser compartilhado? Por um lado, isso exigiria que o sistema AD eliminasse os mapas HD normalmente usados hoje. De fato, um comprador não aceitaria que o domínio do projeto operacional da capacidade AD de seu veículo fosse limitado a uma determinada zona geográfica (exceto para limites regulatórios).

Na verdade, esse tem sido o plano da Tesla há algum tempo, mas sua tecnologia AD (FSD) ainda não amadureceu. A Toyota e a Waymo disseram em abril passado que “explorarão como alavancar a tecnologia AD da Waymo e a experiência em veículos da Toyota para aprimorar os veículos de propriedade pessoal da próxima geração”. Da mesma forma, a Mercedes-Benz e o VW Group indicaram que estavam considerando adicionar esses veículos ao seu portfólio antes do final desta década. Mais recentemente, a Xpeng da China anunciou a introdução em 2026 de três veículos capazes de operar no Nível 4.

Veículos Autônomos Visando Uso Privado: Robocar da Tensor

Vamos nos concentrar aqui na Tensor, uma empresa que está se preparando para superar jogadores estabelecidos. A Tensor foi fundada como AutoX em 2016 no Vale do Silício. A AutoX desenvolveu pela primeira vez seu próprio sistema de tecnologia AD e o aproveitou para implantar uma frota de robotaxis em várias cidades chinesas, atingindo cerca de 1.000 veículos em 2022. Em agosto passado, o AutoX se transformou em Tensor.

Nesse momento, a empresa revelou um veículo em que trabalha há cinco anos. Ele foi projetado para uso privado com a capacidade de operar de forma autônoma, com base na extensa experiência de Nível 4 da AutoX. Hoje, a empresa tem uma equipe de cerca de 400 pessoas com sede no Vale do Silício, Espanha, Cingapura e nos Emirados Árabes Unidos. Eu tive a chance de experimentar um protótipo representativo, embora estaticamente por enquanto. Obrigado ao meu anfitrião, que não patrocinou este artigo (as imagens usadas aqui são da Tensor).

O veículo é grande, com 5,5 metros de comprimento, ou seja, um pouco mais do que um Maybach S-Class, embora a cabine pareça menor do que se esperaria, dadas as dimensões gerais. Destina-se a pessoas com certos meios, dada a quantidade de tecnologia que contém. Os compradores-alvo podem estar acostumados a ter um motorista, cuja presença os impede de ter certas conversas. Eles podem querer apenas tirar o máximo do tempo de deslocamento, enquanto podem confiar no motorista autônomo. O acesso é fácil com portas de concha totalmente alimentadas, de ângulo largo (veja acima).

O carro pode ser dirigido com assistência que varia de nenhuma ao Nível 1, L2 e L3. Para L4, os pedais e o volante tipo jugo se retraem, e a tela central desliza na frente do aspirante a motorista, criando espaço para cinco passageiros. A capacidade de selecionar vários níveis de assistência ou autonomia torna a regulação do veículo agnóstica. Seu uso poderia ser geo-cercado para garantir a conformidade.

Há uma grande quantidade de tecnologia e cuidado com os detalhes do veículo, especialmente relacionado ao uso privado da autonomia, já que normalmente o equipamento (sensores, etc.) é monitorado com frequência e mantido por técnicos qualificados. As 37 câmeras (principalmente 17 MP), 5 lidars (projetadas internamente) são equipadas com limpeza, descongelamento e persianas para protegê-las quando não estiverem em uso. Há câmeras infravermelhas sob o veículo para detectar objetos (ou uma criança) e evitar acidentes quando o carro é chamado remotamente. Existem sensores de água para mover automaticamente o carro em caso de inundação. Há também 11 radares, 22 microfones e muito mais. O veículo também está equipado com pequenas telas em cada esquina para se comunicar com outros usuários da estrada.

A arquitetura elétrica / eletrônica é construída em torno de três controladores de alto desempenho equipados com oito NVIDIA Thor que fornecem 8.000 TOPS de computação. Isso permite não apenas a autonomia L4, mas também recursos como um Grande Modelo de Linguagem incorporado para operar o assistente de conversação para que os dados permaneçam a bordo.

Esse cuidado com um alto nível de privacidade afeta outras áreas. Nenhum dado sai do veículo, nem mesmo para ajudar a empresa a treinar seus modelos de AD. Todo o processamento ocorre a bordo, daí o alto poder de computação. As cinco câmeras dentro da cabine podem ser cobertas com persianas manuais por precaução extra. Por último, a unidade que contém dados confidenciais pode ser facilmente removida.

O veículo foi projetado e projetado com os principais fornecedores de Nível 1, por exemplo, Bosch, ZF, Autoliv, e será produzido no Vietnã pela VinFast. Espera-se que as entregas comecem no segundo de 2026, primeiro no Oriente Médio, depois na Europa (onde as dimensões dos veículos podem ser um problema para cidades densas) e nos EUA.

Convido leitores curiosos a assistir a este extenso vídeo (102 min) que fornece significativamente mais informações.

O Futuro Uso Compartilhado de AVs Pessoais

Há vários anos, a Tesla prometeu que a ativação de seu recurso FSD (atualmente L2) eventualmente permitiria que os proprietários compartilhassem seus veículos em uma plataforma de carona, gerando assim receita. A Tesla lançou seu piloto robotaxi neste verão em Austin e São Francisco, usando veículos de propriedade da empresa. Hoje, a frota muito pequena opera com acesso restrito e operadores de segurança, mas pretende escalar – a última promessa exige 1000 veículos na Área da Baía de São Francisco e 500 em Austin até o final do ano, o que parece novamente improvável. Eventualmente, Teslas de propriedade privada seriam convidados a se juntar à frota para gerar receita para seus proprietários.

Tensor — ou Xpeng — pode vencer Tesla neste jogo. De fato, o veículo foi projetado para ser integrado com plataformas de carona. A empresa já assinou uma parceria para esse fim com a plataforma de carona Lyft, com sede nos EUA, em outubro. A expectativa é que os proprietários ricos possam considerar seu veículo como um ativo financeiro e colocá-lo para trabalhar para aumentar seu ROI, como fazem com suas casas ou barcos secundários.

Veremos AVs de propriedade pessoal se desenvolvendo maciçamente além do mercado premium? Eu não vejo isso acontecendo nos próximos anos. Por que a pessoa “média” pagaria pelo equipamento extra a ser conduzido quando tem tantos outros usos potenciais para seus fundos? No entanto, isso pode acontecer se o custo incremental para L4 se tornar marginal ou se o modelo de negócios para compartilhar seu AV pessoal fizer sentido financeiro. Nesse ponto, pode-se possuir uma frota de AVs para esse único propósito, como as pessoas fazem no Turo, a plataforma de compartilhamento de carros ponto a ponto.

Marc Amblard

Diretor Administrativo, Orsay Consulting

Experiência gourmet

Imagine o leitor que tem a “triste felicidade” de poder gastar mais de 80 mil euros num automóvel com a condição de ser elétrico. Começa por espreitar a brigada chinesa, mas, como está de “pé atrás” com os modelos vindos da China, decide olhar para os asiáticos e depara-se com o IONIQ 5, IONIQ 6 ou, talvez, um BZ4X. Contudo, no final, o que quer mesmo é um alemão. Belisca o Audi A6, cogita o Mercedes EQE… até que chega ao nosso convidado: o i5, nome dado pela BMW aos seus modelos 100% elétricos.

Após oito gerações, o Série 5 vê, mais uma vez, uma nova motorização a chegar. Se na geração passada assistimos à introdução das mecânicas híbridas plug-in, agora temos, pela primeira vez, uma versão totalmente elétrica: o i5. Este Sedan de segmento D traz consigo duas mecânicas eléctricas: eDrive 40 e um M60. Esta última é a verdadeira “Ultimate Driving Machine” dos elétricos, pois tem 601 cavalos e 795NM. Já a versão de teste, a eDrive 40, é a versão mais racional, tem 340 cavalos e 400NM.

No que toca a carroçarias, temos duas opções: carrinha e carro – uma ideia brilhante por parte da BMW, já que esta foi uma das primeiras carrinhas do segmento com versão elétrica (se tirarmos da equação o ID.7, foi mesmo a primeira). Atualmente, as únicas carrinhas elétricas deste segmento são: i5, A6 Avant e ID.7. É precisamente aqui que o i5 ganha alguma vantagem face aos rivais Tesla Model S ou Mercedes EQE, que ainda não têm carrinhas na sua gama.

Este I5 surpreende em todos os aspetos: design, qualidade de construção e conforto. Começando pelo design: notamos que estamos perante uma nova geração do modelo da marca germânica, com linhas que rompem com o passado mas que não perdem a identidade de um série 5, algo crucial para uma marca que, se quer ter sucesso Nos eléctricos, deve fazê-los à imagem da marca… situação essa que a marca Estugarda não entendeu.

Na frente, encontramos um grupo óptico estreado no IX. No capô existem vincos tanto na parte central como nas extremidades laterais, que lhe conferem um ar agressivo e musculado. No para-choques, as entradas de ar nas extremidades contribuem para a melhoria da aerodinâmica. E claro, temos o famoso “duplo rim” característico nos BMW, mas, neste caso, com dimensões nunca antes vistas num 5. A BMW batizou esta grelha de Iconic Glow, podendo ser iluminada (extra). Na traseira, temos os faróis com formato em L, mais finos que a geração anterior, que lhe ficam muito bem!

O segundo item citado foi a qualidade de construção, que é surreal! Tudo o que tocamos no interior é soft-touch, até as partes inferiores dos painéis das portas são revestidas com materiais emborrachados. A consola central está perfeitamente fixa, sem qualquer folga, não mexe nem um milímetro. O único ponto negativo encontrado: os botões em black piano que deixam facilmente dedadas e pó.

O interior deste Série 5 é, sem dúvida, uma experiência gourmet. A iluminação ambiente com LED ‘s por todo o habitáculo pode ser ajustada conforme o nosso estado de espírito. Tudo neste i5 é digital até os comandos de acesso rápido na consola central (apelidados de Interaction Bar pela marca germânica) são táteis e o seu funcionamento é muito bom, pois reconhecem sempre que os pressionamos. O painel de instrumentos tem 12.3 polegadas e o seu sistema está a anos luz dos anteriores, temos uma resolução de imagem isenta de críticas e é bastante personalizável no que toca aos temas de visualização.

Já a tela do GPS tem 14.9 polegadas, a sua qualidade de imagem é soberba e o seu funcionamento é rápido e fluído, respondendo bem ao toque. O Apple car play está otimizado para ocupar o ecrã todo – um detalhe que gostámos!

Os comandos do ar condicionado são operados via tela, com zonas táteis nas extremidades para aumentar ou diminuir a temperatura – uma solução eficaz e bem pensada. O “berbicacho” está em ajustar a direção e intensidade do ar, isso sim uma tarefa mais complexa e menos intuitiva…

A mala conta com 490 litros de puro espaço. Mala elétrica? Não tem! É uma pena… os espaço para as pernas e cabeça está no nível da sua classe.

A BMW, para este série 5, decidiu lançar três estilos de equipamento: Base, Pack Desportivo M e Pack M Pro. O “nosso” ilustre tinha o Pack desportivo M, cuja diferença face ao modelo base ronda os 2 mil euros.

No que toca ao modo de condução, temos dois: Eco e Sport. Dentro do modo Eco, existe ainda um modo “camuflado” que é o Eco Pro, e é neste que conseguimos alcançar os 630 km de autonomia que o carro promete; claro está que algumas funções estão limitadas, como o ar condicionado e a velocidade máxima (limitada a 90 km/h). Os modos de condução têm uma particularidade: mudam a sua autonomia consoante o modo selecionado. Este “cidadão de Munique” apresenta ainda modos que não afetam o desempenho, mas sim o ambiente a bordo: Relax, Person, Sound Dynamic and Expressive e Silence. Estes alteram as cores ambiente dos LED ‘s, sons e até abrem/ fecham a cortina do tejadilho panorâmico. O destaque vai para o modo Sound Dynamic: até hoje nada superou ouvir uma voz feminina a falar inglês com sotaque alemão. O sistema de som do i5 é o Harman Kardon, e é fantástico, com uma qualidade de som invejável.

Quanto à regeneração, há três níveis, ajustáveis via iDrive, uma operação bastante fácil e intuitiva. No seletor da caixa, há ainda a posição “B”, que nos permite conduzir com um só pé. Outro ponto em que este I5 surpreendeu foi na sua insonorização: é, de facto, muito boa e os ruídos vindos do exterior são quase imperceptíveis.

A posição de condução é perfeita, como a BMW nos tem habituado: os ajustes do volante estão à margem de qualquer crítica. O banco também tem bons ajustes, embora ache que o assento poderia descer um pouco mais, mas trata-se de uma opinião pessoal.

O volante apresenta três raios, uma vez que a nossa unidade tem o pack M (caso contrário teria apenas dois braços). Nele encontramos uma patilha a dizer booster, que permite aceder, durante 10 segundos, à potência e binário máximos que este BMW nos pode oferecer, ideal para fazer uma ultrapassagem.

Temos uma bateria de 84,4 kWh brutos, dos quais 81,2 kWh são “líquidos” (sendo este último valor o valor usável). Os carregamentos podem ser feitos em AC (lento) e DC (rápido) – em AC, a velocidade é de 11 kW ou 22 kW (opcional); em DC, é de 205 kW. Em termos de tempo de carga, em 11 kW, é de cerca de 8 horas; em 22 kW, este tempo reduz para quatro horas e, por último, em DC (dos 10 aos 80%) são feitos em cerca de 30 minutos.

Alemão na estrada

Se recuarmos no tempo, os Série 5 sempre foram uma referência de fazer inveja a nível de dinâmica, mas, em termos de conforto, os seus compatriotas faziam melhor, sobretudo a Classe E. Ao longo das gerações, a marca germânica tem vindo a evoluir nesse campo, mas muito ao de leve. Com esta oitava geração, a BMW deu um salto claro neste capítulo, surpreendendo, e muito, a nível de conforto, até mesmo com este pack M.

Este “espada” revelou-se extremamente confortável em todo o tipo de piso. Este i5 conta com quatro rodas direcionais, o que é uma mais-valia e se revelou indispensável na altura de fazer manobras e de estacionar. A direção deste alemão é um hino às direções: direta, precisa, comunicativa e com o peso certo. Responde a cada input dado sempre da mesma maneira, com precisão: para onde apontamos o carro, ele vai. Tem um comportamento dinâmico exemplar, de levar aos céus. Em curva, o carro mantém-se “plantado”, não mexendo um milímetro, ainda que se note algumas transferências de peso. Durante o nosso ensaio, notámos que o controlo de estabilidade “pica muito o ponto”, embora muitas vezes, mesmo “picando o ponto”, continuasse a ser necessária a intervenção humana…

Os consumos oscilaram desde os 18.5 kWh/100 aos 21.1 kWh/100. Em auto estrada, obtivemos 19.1 kWh/100km, um valor que, francamente, foi uma surpresa. No capítulo da autonomia, em autoestrada conseguimos percorrer 362 km sem qualquer preocupação; já em circuito misto, alcançámos os 400 km com a mesma tranquilidade. Posto isto, acreditamos ser perfeitamente possível atingir entre 500 e 520 km com este “espada” alemão!

Assim, se o leitor tem a “triste felicidade” de poder gastar mais de 80 mil euros num carro elétrico, o BMW i5 é, sem dúvida, uma excelente opção. É confortável, tem uma dinâmica apurada e, para quem aprecia, está recheado de tecnologia e LED ‘s para todos os gostos. Se pudéssemos pedir mais alguma coisa à BMW, seria apenas uma versão eDrive35 tal como já existe no i4…

O que procuram realmente os chineses com as suas fábricas na Hungria? Estratégia, geografia e influência

A Hungria tornou-se a “porta de entrada” preferida da indústria chinesa do carro elétrico na União Europeia. Ali concentram-se gigafábricas de baterias (CATL, EVE), projetos de automóvel (BYD) e equipamentos como as estações de troca de baterias da NIO. Porquê esse país e não outro? Por três motivos simples: acesso ao mercado da UE sem a tarifa de importação, proximidade dos grandes fabricantes alemães e sintonia político-económica com Pequim.

1) A lógica do “feito na UE”

Os direitos compensatórios da UE aplicam-se aos BEV (veículos elétricos a bateria) importados da China. Se o carro é fabricado dentro do mercado único, o “país de origem China” desaparece e a tarifa não se aplica. É a primeira razão de peso para montar fábricas em território comunitário. (As tarifas definitivas vigoram desde 30/10/2024).

2) Onde estão a colocar as peças

CATL (Debrecen): investimento anunciado de ≈ 7.300 M€ e 100 GWh de capacidade planeada para células e módulos.

EVE Power (Debrecen): fábrica de 28 GWh, “porta com porta” com a BMW para a nova geração elétrica.

BYD (Szeged): primeira fábrica europeia de automóveis da marca; SOP (início de produção em série) ajustado para 2026, segundo a Reuters.

NIO Power (Biatorbágy, Budapeste): unidade europeia de battery swap (troca de baterias) para as suas estações.

E, mesmo ao lado, os clientes: a BMW arranca a produção em Debrecen (final de outubro de 2025) e a Audi fabrica motores elétricos em Győr para a plataforma PPE. Esta vizinhança reduz logística e tempos.

3) Geografia, fiscalidade e infraestrutura

A Hungria está em pleno “cinturão” centro-europeu do automóvel (Alemanha–Chéquia–Eslováquia–Hungria) e oferece um imposto sobre sociedades de 9 % (o mais baixo da UE), com regimes de apoio a grandes projetos. Além disso, integra o corredor da BRI (Belt and Road Initiative, a “Nova Rota da Seda”) com a modernização da linha Budapeste–Belgrado, financiada em grande parte pelo China Eximbank.

4) Política: relação bilateral “para todos os tempos”

Em maio de 2024, China e Hungria elevaram a relação a “parceria estratégica integral para todos os tempos”. A mensagem é clara: Budapeste é o parceiro mais aberto ao investimento chinês dentro do mercado único, o que acrescenta previsibilidade regulatória aos investidores.

5) O que ganha a China ao fabricar na Hungria?

Previsibilidade comercial: montar carros na UE evita a tarifa aplicável aos veículos importados da China.

Custo total competitivo: menos fricção logística (clientes “porta com porta”), acesso a talento industrial e uma fiscalidade corporativa baixa.

Influência na cadeia: não é só montagem; também célula–módulo–equipamento (troca de baterias da NIO), o que fixa fornecedores e conhecimento na região.

6) O que ganha a Hungria?

Investimento e emprego em torno de um ecossistema elétrico (bateria, automóvel, componentes).

Posicionamento como hub do carro elétrico na Europa Central, com projetos “tractor” de BMW, BYD e CATL.

7) Os contrapesos: regulação e aceitação social

FSR (Foreign Subsidies Regulation): a UE pode investigar e impor remédios a empresas ativas na UE se houver subsídios extra-UE que distorçam o mercado (atinge M&A e contratação pública). É o novo “radar” para grandes investimentos.

Regulamento das Baterias (UE) 2023/1542: exige pegada de CO, passaporte de bateria e diligência devida em matérias-primas (aplicação faseada desde 2025). Produzir na UE facilita auditorias e rastreabilidade.

Calendários realistas: os arranques podem derrapar (como BYD Szeged 2026). Importa distinguir sempre entre anúncio e produção efetiva.

Em duas linhas: a aposta e o que acompanhar

A aposta: para os grupos chineses, a Hungria é a forma mais eficiente de estar “dentro” do mercado único e ao lado dos grandes clientes; para a Hungria, é uma estratégia de país para liderar a mobilidade elétrica na Europa Central.

COCKTAIL MOLOTOV

O Polestar 4 dual motor é um atestado de beleza, quer ao nível exterior, quer ao nível interior. Trata-se de um carro com umas linhas únicas e, sem sombras para dúvidas, um dos elétricos mais bonitos no mercado! Só a Polestar podia oferecer-nos uma frente com um design tão irreverente, com vincos no capot, uma seleção óptica bipartida e umas entradas de ar pronunciadas, que são verdadeiras. Na traseira, encontra-se a secção mais polémica deste 4, pois deixamos de ter o vidro traseiro e passamos a ter uma “tampa” da cor da carroçaria. Então, como conseguimos ver o que está na retaguarda? A resposta é simples: câmeras de ótima qualidade! Mesmo à noite, as câmeras têm uma qualidade imperial. Quando mudamos a direção, notamos as transições da câmera. Houve uma crítica generalizada sobre esta solução de eliminar o vidro traseiro, mas o que é certo é que nos dias que estive com o carro não tive qualquer dificuldade em me adaptar. 

Dentro da mala, a capacidade é de cerca de 526 litros, mais 31 litros no sub piso da mala. Há um frunk, mas este só tem 15 litros. E aqui está o primeiro hiato do 4, nem precisamos de ir à concorrência, basta ir ao seu irmão mais pequeno, o 2. O modelo de entrada da Polestar tem um frunk muito maior que este 4. E é no mínimo estranho, pois o 4 é maior em todos os aspetos. Com efeito, os 15 litros são escassos, durante o ensaio só deu para colocar uns sacos de roupa e de compras para uns dias. O frunk tem uma tampa em plástico, que é um toque do brio da marca sueca. A abertura da mala é elétrica, como seria de esperar, e no interior da porta da mala, no lugar do vidro, temos um símbolo imponente da Polestar. A parte de trás do 4 é arrojada, com uma barra led que liga a traseira de uma ponta à outra. Este Polestar tem uma silhueta de coupé e isso nota-se na traseira, que tem uns vincos que lhe dão um volume extra. Sendo um Polestar dual motor, temos algumas diferenças, quando comparado com o single motor. Para começar, as pinças do travão são amarelas, bem como os cintos, uma imagem distinta das versões “mais apimentadas” da marca sueca. Não é muito arrojado, no entanto sobressai, seja em qual cor for. Uma das mudanças que não é visível é que este 4 é um tração integral, daí ter o nome dual motor, enquanto o single motor é tração traseira. Quanto à potência, esta também muda e para o dobro: se no single motor a “cavalagem” é de 200 kW (272 cavalos), neste dual motor, temos 400 kW (544 cavalos). Quanto à bateria, esta é igual para ambas as versões, tanto para o single motor como para o dual motor, 100 kHw/h dos quais 94 são úteis. Já no que toca às velocidades de carregamento, em AC, temos 11 kW, em DC 200 kW. Conseguimos carregar dos 10% aos 80% em 30 minutos, sendo claro que este carregamento tem de ser em DC. Sendo mais pesado que a versão de tração traseira, este 4 tem números impressionantes: 544 cavalos e 683 NM, que são instantâneos, se o modo desempenho estiver ativo. Quando este modo está ativo, é possível fazer dos 0 aos 100 km/h em 3.7 segundos (com o launch control ativo) e, sim, é uma experiência de aceleração, surreal!

Passando para o interior, a palavra é «fabuloso»! Clean, como manda a filosofia sueca, só materiais nobres, tudo em que tocamos é soft-touch, a consola central é um atestado de solidez, pois não mexe um centímetro. Na consola central há elementos de madeira que criam um bom ambiente,  com luzes Led por todo carro. E, sim, pela primeira vez, temos um ecrã vertical de 15.4” polegadas. O sistema usado neste 4 é o Android OS, um sistema fácil de usar, rápido e com uma qualidade de imagem soberba! Pena é que todos os controlos sejam operados por lá: desde ligar o AC, redirecionar o ar nas saídas de ventilação (primeiro Polestar a ter esta solução), abrir o porta luvas, ajustar o volante, sem falar dos restantes ajustes do carro (direção, regeneração e suspensão). A instrumentação do condutor é digital, achei que a sua personalização era um pouco escassa, pois só temos três views: com mapa, sem mapa e um tema do cruise control adaptativo com imagens do que se passa na via (carros e camiões a passar). Falando do cruise control, é dos melhores que já testei no que toca à condução e a sua informação no painel é nítida e clara na representação do que se passa na via. 

Nos bancos de trás, temos uma tela, onde podemos ajustar a temperatura do ar, no lado direito e esquerdo; ativar os bancos aquecidos e, por último, podemos regular a inclinação das costas dos assentos, o que permite fazer viagens com maior conforto. 

Chegou a hora de “meter as unhas” no Polestar. Entramos no 4 e notamos que foi o primeiro Polestar a ter uns puxadores de porta retráteis, mais eficientes, e reparamos que as suas portas são sem moldura, um detalhe estético que lhe assenta bem. Todavia, o isolamento, não foi ao encontro das expectativas, deixando a desejar, sobretudo, em autoestrada. Assim que chegamos aos 110/120 km/h, ouvimos uns ruídos vindos da janela, mas, como é sabido, um eléctrico está mais sujeito a este tipo de ruídos devido ao seu silêncio a bordo. Sem esquecer que as portas deste 4 são sem aro… 

Entramos no 4, ajustamos o banco e o volante, que têm umas boas regulações, e rapidamente encontramos a posição de condução. Nos primeiros metros, nota-se que a suspensão é um bocadinho mais dura, quando o comparamos com o long range  e a sua direção segue o mesmo caminho. A sua suspensão pode ser regulada em três níveis: standard, ágil e firme.  Escrutinando estes três modos, podemos dizer que o primeiro modo (standard) é um pouco mole e deixa o carro muito saltitão; no ágil, o carro fica um pouco mais duro, deixando de ser saltitão e podemos dizer que este ajuste é completo, mas há muitos momentos em que parece um pouco artificial; o firme, como o nome indica, é firme, absorve muito bem as irregularidades do piso, mas há alturas em que o carro chega a ser duro… durante o nosso convívio utilizamos muito o ajuste ágil, pois tinha um compromisso entre conforto e o desempenho. No que toca à direção continua-se com um hat-trik de modos: ligeiro, standard e firme. No primeiro ajuste, o ligeiro, a direção fica muito leve com um feeling demasiado irreal, sendo um pouco elétrica. Contudo, achei esta direção, mesmo no modo ligeiro, um bocadinho mais dura que a do long range. No segundo modo, notamos que a direção ganha um certo peso, mas o seu feedback é ligeiramente artificial. A última “afinação” é o firme, e é neste default que a direção fica mais pesada, transmitindo melhor o que se passa na estrada. Mas não há bela sem senão, houve alturas, durante os dias que passamos com este SUV/COUPÉ, que a direcção se mostrou um pouco elétrica, sobretudo quando introduzíamos o 4 na curva… Se nos Polestars a que tive acesso, os modos de fornecimento de bateria eram muito discretos, pois não havia grande diferença entre eles, neste o caso foi diferente. Nota-se uma diferença abismal! Os ajustes são dois: autonomia e desempenho, e a diferença entre eles é o poder de aceleração. No primeiro, o motor da frente desliga-se para poupar bateria, e ficamos apenas com o traseiro. O motor da frente apenas é acionado se pisarmos a fundo o acelerador. No segundo, temos os 544 cv e 683NM, isto é, toda a potência disponível de imediato, transformando o 4 num verdadeiro desportivo elétrico.

Na parte dinâmica, podemos dizer que este dual motor se agarra bem, muito devido à sua tracção às 4 rodas, mas há alturas em que o carro “foge”. Durante o ensaio, tivemos de tudo, desde fugir de frente a meio de uma curva, a fugir de traseira, quando havia alguma inclinação em curva. Estas situações aconteceram pois esforçamos demasiado o carro e o pedal direito não foi tratado com suavidade, pois em situações normais nada disto acontece. Contudo, o carro foi sempre muito seguro nas suas reações e sempre transmitiu confiança. No requisito autonomia, quando fomos buscar o automóvel, a promessa era de fazer 500km, conseguimos fazer 407.1 km, sem grandes preocupações de quantos km conseguiríamos fazer com uma carga. O circuito para teste foi misto e acreditamos que se tivéssemos uma condução mais contida, conseguiríamos fazer entre 430/470km. As médias foram 22.1 kWh/100km… 

No balanço final, entre esta versão apimentada e a versão de motor único, talvez deva optar pela versão de motor único! Pois perdemos potência, mas ganhamos autonomia… e maior tranquilidade de utilização.

Terras raras e motores elétricos: o que pode fazer Portugal?

As terras raras (os 15 lantanídeos mais escândio e ítrio) são usadas em ímanes permanentes de altíssima potência que permitem motores elétricos compactos e eficientes, embora não façam parte das baterias de iões de lítio.

Hoje, a União Europeia (UE) reconhece que 100% das terras raras usadas em ímanes permanentes são refinadas na China, um ponto de vulnerabilidade que o Regulamento das Matérias-Primas Críticas (Critical Raw Materials Act, CRMA) procura reduzir com metas para 2030 em extração, processamento e reciclagem na Europa.

A China domina as fases mais críticas da cadeia — a separação e a fabricação de ímanes —, o que introduz riscos geopolíticos para a mobilidade elétrica europeia. A boa notícia: existem alternativas tecnológicas sem ímanes e a Europa (Portugal incluído) pode ganhar peso em cartografia, processamento e reciclagem. Este artigo resume o estado da arte com fontes primárias e técnicas.

O que são as terras raras… e porque interessam ao automóvel elétrico

As terras raras são 17 elementos (lantanídeos + escândio + ítrio) com propriedades magnéticas e óticas únicas. O nome é enganador: não são “escassas”, mas são difíceis de concentrar e separar com pureza industrial. No setor automóvel, as mais procuradas são neodímio e praseodímio (Nd/Pr) para ímanes de neodímio-ferro-boro (NdFeB); para alta temperatura adicionam-se pequenas frações de disprósio (Dy) ou térbio (Tb).

Num carro elétrico, as terras raras não estão na bateria de iões de lítio (que depende de lítio, níquel, cobalto/manganês ou fosfato de ferro e lítio — LFP —, e grafite), mas sobretudo no motor de tração (se usar ímanes permanentes) e em motores auxiliares (atuadores, ventiladores, bombas). Cada motor de tração com ímanes costuma requerer ≈ 1–2 kg de íman sinterizado. Existem também outras químicas de bateria como níquel-manganês-cobalto — NMC — ou níquel-cobalto-alumínio — NCA — (sem terras raras).

Do jazigo ao íman: porque é que a China “tem a chave”

O estrangulamento não está apenas na mina: está na separação química e na metalurgia do íman. À escala global, a China concentra ~90% da capacidade de separação e mais de 90% do metal e das ligas para ímanes NdFeB; na UE, 98% dos ímanes de terras raras são importados da China. Além disso, 100% das terras raras usadas em ímanes é hoje refinado na China, segundo a Comissão Europeia.

Esta posição reforça-se com licenças e controlos sobre tecnologia e exportações, que Pequim tem ajustado desde 2023–2025, aumentando a sensibilidade da cadeia a tensões comerciais. A Agência Internacional de Energia (AIE; em inglês, International Energy Agency, IEA) e outras análises confirmam que a concentração do refino de terras raras continua elevada e difícil de diversificar no curto prazo.

São indispensáveis num carro elétrico? (Engenharia sem mitos)

A engenharia oferece saídas: nem todos os elétricos precisam de ímanes com terras raras. Há motores síncronos de rotor bobinadoElectrically/Externally Excited Synchronous Motor, EESM — (sem ímanes) em produção — BMW, quinta geração eDrive — e a Renault reiterou a sua estratégia de rotor bobinado (R5, Mégane, Scénic) e o próximo motor E7A, com zero terras raras. Ou seja: é possível eletrificar sem depender estruturalmente de Nd/Pr, com alguns compromissos de compacidade ou eficiência consoante o caso.

Os motores síncronos com ímanes permanentesPermanent Magnet Synchronous Motor, PMSM — baseados em NdFeB oferecem alta densidade de binário e boa eficiência em volume contido (daí a sua popularidade em veículos elétricos e eólica). A própria Comissão Europeia classifica-os como “os dispositivos mais eficientes” no seu domínio. Mas não são a única solução: existem topologias que evitam terras raras.

Motores síncronos de rotor bobinado (EESM): geram o campo do rotor com corrente, sem ímanes. A BMW declara que a 5.ª geração de eDrive não usa terras raras; a Renault utiliza rotor bobinado no Mégane, Scénic e no novo R5 E-Tech, e desenvolve com a Valeo o motor E7A (até 200 kW) sem terras raras.

Indução (assíncronos): também sem ímanes, com compromissos distintos em eficiência/compacidade face aos PMSM.

Alternativas de material: desenhos com ferrites (sem terras raras) ou ímanes de samário-cobalto (SmCo) para aplicações específicas, embora com penalizações de densidade ou custo.

Conclusão técnica: as terras raras não são estritamente imprescindíveis para que um veículo elétrico (VE) funcione, mas permitem motores mais compactos e eficientes; por isso a procura de ímanes crescerá com a eletrificação, mesmo coexistindo com desenhos rare-earth-free.

Portugal: onde estamos e que alavancas temos

Geologia e conhecimento. Portugal conta com ocorrências de minerais portadores de terras raras (monazita, xenótimo) mapeadas pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) através do Sistema de Informação de Ocorrências e Recursos Minerais Portugueses (SIORMINP), embora não existam explorações económicas de elementos de terras raras (ETR; em inglês, rare earth elements, REE) em operação. 

Historicamente, relatórios europeus indicavam ausência de jazigos económicos na Península Ibérica, embora a cartografia e o conhecimento tenham avançado desde então.

Ecossistema e projetos. Grupos como o Centro de Recursos Naturais e Ambiente do Instituto Superior Técnico (CERENA/IST) trabalham na valorização e reciclagem de resíduos tecnológicos com conteúdo em ETR (por exemplo, RecValTR, REESOURCE), em linha com a prioridade do CRMA de recuperar matérias-primas críticas a partir de fluxos de resíduos.

Para lá dos ímanes: os outros materiais do carro elétrico

O cabaz de materiais de um VE vai muito além das terras raras: lítio, níquel, cobalto/manganês ou LFP e grafite em baterias; cobre e alumínio em cabeamento e motores; e silício (e carbeto de silício) em semicondutores de potência. Compreender este cabaz é essencial para a política industrial: estratégias que olham apenas para as terras raras ficam curtas. No reciclaje de ímanes, técnicas como o Hydrogen Processing of Magnetic Scrap (HPMS) permitem recuperar pó NdFeB para re-sinterizar e reduzir a dependência de material virgem.