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Green Future-AutoMagazine

O novo portal que leva até si artigos de opinião, crónicas, novidades e estreias do mundo da mobilidade sustentável

GFAM

O setor da Mobilidade Sustentável – ponto de vista empresarial - António Saraiva

O setor da Mobilidade Sustentável – ponto de vista empresarial

António Saraiva
Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal

É-me pedido que exponha a visão sobre o setor da mobilidade sustentável visto do lado da Indústria.

Tema complexo, porque o setor da mobilidade é o que mais infraestruturas requer e mais energia consome, mas também porque mobiliza grandes recursos nacionais, materiais e humanos, sendo a indústria a ele associada responsável por uma parte nada desprezável do PIB do país e por uma quota importante das suas exportações.

Para uma análise consistente deste tema, teremos de observar a sua evolução nos últimos trinta anos.

Em 1990, os transportes consumiam menos de 30% do total do consumo final de energia; em 2019, esta percentagem subiu para 36,4%.

Em 1990, o modo rodoviário representava 86% do total de consumo de energia; em 2019, essa percentagem subiu para 95,4% devido à queda acentuada de consumos na ferrovia e na aviação e navegação em território nacional.

É certo que, em 1990, e quanto a sustentabilidade, tínhamos apenas algum consumo de eletricidade no modo ferroviário, ao passo que, em 2019, as energias renováveis representaram 6,6% do total da energia consumida nos transportes, devido, sobretudo, à inclusão de biodiesel no gasóleo.

Esta análise foi necessária para demonstrar que este é o setor mais difícil de descarbonizar e onde a penetração de energias renováveis tem sido menor.

Tal foi reconhecido pelo Governo que, no Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030), estabeleceu como objetivo para 2030 uma quota de apenas 20% de renováveis nos consumos de energia nos transportes.

Para este objetivo (e outros, mais ambiciosos que, certamente, se seguirão) é necessária uma revolução, não só nos meios de transporte, como nas infraestruturas e, o que é mais difícil ainda, nos hábitos das pessoas e no funcionamento da economia e da sociedade em geral.

E esta ‘revolução’ enfrenta dificuldades:

  • O transporte de mercadorias por via ferroviária não tem tido qualquer evolução;
  • A navegação costeira não é estimulada;
  • O parque de viaturas (ligeiros de passageiros ou de carga e pesados) ascende a vários milhões e, apesar de relativamente envelhecido, não se substitui facilmente.

Claro que as dificuldades devem enfrentar-se e, para isso, há que ler devidamente os sinais, políticos e tecnológicos, porque, neste caso, errar é demasiado caro para o país.

As medidas de política têm, neste caso, grande impacto na economia e nos cidadãos: devem, por isso, ser prudentes, evitando o voluntarismo.

Mas as Empresas têm aqui oportunidades excelentes para aumentar a sua atividade em setores com futuro.

Esta é, também (e, de resto, está a sê-lo) uma janela de oportunidade para o nascimento de novas empresas, quer tecnológicas, quer prestadoras de serviços.

Muito há a fazer e o ponto de partida é, neste caso, favorável:

  • Existe uma sólida indústria nacional de componentes;
  • Os setores elétrico e metalomecânico estão claramente preparados para essa especialização;
  • Temos recursos naturais e indústria no setor das baterias;
  • Estão decididos apoios e verbas para a mobilidade sustentável como nunca antes existiram;
  • Há que realizar mais iniciativas, seja mobilidade elétrica, seja na nascente indústria do hidrogénio, seja nos biocombustíveis, seja acompanhando os desenvolvimentos no que respeita aos combustíveis sintéticos.

O bom senso determina que não devemos ter soluções únicas; sou de opinião que, para uma questão tão difícil e de tanto impacto na economia e na nossa vida como cidadãos, necessitaremos de todas as vias que estão ao nosso dispor.

As soluções disruptivas podem ser tentadoras, mas não podemos esquecer que, neste caso, além da necessidade económica de soluções que sejam custo-eficiente, há que salvaguardar o equilíbrio no emprego.

Tenho, no entanto, a esperança de que, mesmo com estas salvaguardas, se atinjam objetivos realistas na mobilidade sustentável

António Manuel Frade Saraiva, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, é, desde 2010, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. É vice-presidente da BusinessEurope, a confederação de empresas europeias que representa as principais confederações de 35 países europeus; vice-presidente do CES – Conselho Económico e Social; presidente do Conselho de Administração do Taguspark; membro do Conselho de Administração da Future Compta; membro do Conselho de Administração do Instituto de Emprego e Formação Profissional; vogal do Conselho Estratégico da SOFID – Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento, IFIC, SA; administrador não-executivo do Conselho de Administração da Global Media.
A nível académico, é membro do Conselho de Escola do ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; membro do Conselho de Curadores do ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e do Emprego; membro do Conselho Consultivo da Católica Porto Business School; membro do Conselho Geral Estratégico da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
Leciona Corporate Diplomacy no ISCSP e também Desenvolvimento Económico na Coimbra Business School.

Porquê #1? - Gil Nadais (ABIMOTA)

Porquê #1?

Opinião de Gil Nadais
Secretário Geral da ABIMOTA – Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins

Em 2019, Portugal foi o maior construtor de bicicletas da Europa. Em 2020, apesar da pandemia e da crise, as exportações portuguesas cresceram cinco por cento. Hoje Portugal é apontado como um caso de estudo a nível internacional.

Portugal apostou nas duas rodas e, desde os anos 40 do século passado, existia em Águeda um conjunto de empresas que se dedicavam à produção de componentes e de ciclomotores. Marcas como Casal, Famel, Macal e tantas outras, floresceram impulsionadas por um mercado protecionista e com uma dimensão que lhes permitia, graças a um poder de compra que crescia lentamente, mas suficiente – pois quem tinha uma bicicleta passaria a ter uma motorizada –, manter esse crescimento.

Esses foram os anos dourados, mas com os anos 80 as regras de mercado mudaram. Os hábitos de mobilidade alteravam-se à mesma velocidade que o mercado da mobilidade. O mercado liberalizava-se, o acesso a dinheiro barato e a busca de melhores condições de vida e de mobilidade faziam com que o automóvel fosse agora mais apetecível.

Os anos 90 foram a colocação da lápide sobre as duas rodas, como as conhecíamos até aí. No entanto, se é certo que várias marcas desapareceram, é igualmente certo que várias indústrias renasceram. 

Com os anos 90 chegaram novos consumos. O BTT reinventou a bicicleta, tornou-a num veículo que permitia descobrir novos caminhos e com ele chegou um novo público. Na consolidação destes novos hábitos nasceram novas oportunidades. Quem, por exemplo produzia conjuntos de pinhão e cremalheira para as motorizadas, muito facilmente passou a fazer conjuntos semelhantes para bicicletas e quem fazia quadros, também facilmente se adaptou.

Estas empresa ‘sobreviventes’ foram o fulcro para os novos anos dourados da mobilidade nacional.

A existência de meios de produção e de mão de obra altamente qualificada, aliada a empresários com visão de médio e longo prazo, fizeram com que as bicicletas nacionais crescessem e procurassem além-fronteiras novos mercados.

Foi assim desde o início do século XXI, com cada empresa a procurar mercados e a crescer. No entanto, neste tecido, faltava ainda algo que recolocasse a imagem de Portugal, enquanto produtor de bicicletas, num nível qualitativo que permitisse ser competitivo e como a capacidade de produzir em grande quantidade era uma meta extremamente difícil de atingir, pois outras geografias detêm capacidade produtiva de grande quantidade, a aposta centrou-se na qualidade.

Nesta estratégia foi fundamental criar uma marca que abrangesse toda a produção nacional, tal como vimos acontecer, por exemplo, no setor tecnológico, ou há muito, muito tempo que os vinhos de qualidade estão ‘agarrados’ a territórios determinados. 

Portugal Bike Value foi a marca ‘guarda-chuva’ que passou a levar todo o setor aos quatro cantos do mundo. O setor cresceu, cresce, de forma sustentada e permanente há mais de vinte anos. 

Atualmente, o setor reposiciona-se e cada vez mais temos de falar, não do setor das duas rodas, mas do setor de mobilidade suave. A bicicleta e outros veículos, menos ‘convencionais’, que têm a bicicleta ‘convencional’ como base, são hoje produtos altamente tecnológicos e isso é possível de atingir graças aos investimentos em inovação que estão acontecer.

Inovação na produção – por exemplo, nos próximos meses vai ser inaugurada em Portugal a primeira fábrica de quadros em carbono fora da Ásia. Inovação em desenvolvimento e design. Inovação nos próprios conceitos de veículos.

O setor da mobilidade suave português está a crescer, em contraciclo de muitos outros setores, e está hoje dotado de tecnologia de ponta e de dimensão, que lhe permitem encarar de frente os novos desafios da mobilidade suave. 

Temos empresas, temos mão de obra altamente qualificada, temos empresários, temos visão e equipamentos como laboratórios com capacidade de resposta. Temos mercados externos que nos reconhecem na qualidade e capacidade. 

O que ainda não temos? O devido entendimento do que é o setor e da sua capacidade dentro de portas. Precisamos que o Poder olhe para a mobilidade suave portuguesa com outros olhos. 

No inicio do texto começava por realçar a existência de empresas ligadas à mobilidade em Águeda, mas hoje temos que falar de todo um cluster ligado à mobilidade suave que se estende de Caminha à cintura industrial de Lisboa. Também isto, fruto dos tempos e da pujança do setor na atualidade, só falta que o cluster da mobilidade suave portuguesa chegue ao Terreiro do Paço. 

Minuto AutoMagazine: Smart EQ ForTwo Coupe

Minuto AutoMagazine: Smart EQ fortwo Coupe

A equipa do Green Future AutoMagazine foi a Sintra ensaiar o Smart EQ fortwo Coupe.

Smart EQ fortwo Coupe

Bateria: 17.6 kW/h

Autonomia: 160 km

Motorização: 60 kW (82 cv); 160Nm

Velocidade máxima: 130 km/h

Aceleração (0-100 km/h): 11,6 segundos

Carregamento:
4,6 kW convencional: 6 horas
4,6 kW wallbox: 3h30 minutos 
22 kW wallbox/público: 40 minutos (80%)

Preço: desde 22.845 euros

Minuto AutoMagazine: Opel Mokka-e

Minuto AutoMagazine: Opel Mokka-e

Fomos os primeiros a conduzir o Opel Mokka-e, o novo modelo 100% elétrico da marca alemã.

Opel Mokka-e:

Bateria: 50 kW

Autonomia (WLTP): 324 km 

Motorização: 100 kW (136 cv); 260 Nm

Aceleração (0-100km/h): 9,1 segundos

Velocidade máxima: 150 km/h

Carregamento:
Carregamento DC (100 kW): 30 minutos

Bagageira: 310–1060 l

Preço: a partir de 36.100 euros

Elétrico vs Combustão - UVE

Elétrico vs. Combustão

Por: UVE – Associação Utilizadores de Veículos Elétricos

Comparamos os dois tipos de motorização: o Veículo Elétrico (VE) e o Veículo a Combustão Interna (VCI), a nível de desempenho, manutenção e impacto ambiental.

Potência máxima disponível imediatamente na aceleraçãoProgressão da aceleração através da caixa de velocidades
Silêncio durante a conduçãoBarulho constante do funcionamento do motor

Um Veículo Elétrico tem cerca de 1% de peças móveis comparado com um veículo a combustão.

Sem óleosÓleo do motorSubstituição a cada 10.000 km
Poupança de travões e pneus
(devido à travagem regenerativa com o motor, os travões e pneus são bastante poupados)
Substituição de pastilhas de travão(em média a cada 60.000 km)e pneus (em média 40.000 km)
Sem velasVelas do Motor
Substituição, em média, aos 50.000 km
Sem líquido de refrigeraçãoLíquido de Refrigeração
Substituição a cada 2 anos ou 30.000 km
Custo médio de manutenção anual:50 €Custo médio da manutenção anual:180 €
Sem emissões de gases poluentes
0 g/km de CO2
Emissão dos seguintes gases pelo funcionamento do motor a Combustão:
Dióxido de Carbono (CO2)
– a partir de 95 g/km de CO2Monóxido de carbono (CO)Hidrocarbonetos (HC)Dióxido de Enxofre (SO2)Aldeídos (CHO)Óxido de Nitrogénio (NOx)
Mais de 60% da energia elétrica produzida em Portugal provêm de Fontes Renováveis
(fonte: APREN)
Se optar por efetuar os Carregamentos durante a noite permite utilizar a energia produzida pelas centrais eólicas, que de outra forma seria desperdiçada na rede.
Dependente de combustíveis fósseis provenientes da prospeção de petróleo.
Para além da prospeção, é necessário o transporte da matéria prima para refinarias e para as estações de abastecimento.
Baterias do Veículo Elétrico podem durar até 30 anos antes de serem enviadas para reciclagem, recuperando até 95% da matéria prima.No abate do veículo, a reciclagem é reduzida a poucos componentes.
Não emite ruído
Contribui para a diminuição da poluição sonora nas cidades
Ruído do motor
Contribui para o aumento da poluição sonora nas cidades

Já efetuou um test drive a um Veículo Elétrico? De que está à espera?Experimente e comprove as claras vantagens dos Veículos Elétricos e relação aos veículos com motor de combustão interna.

Cada uma das nossas opções conta. Devemos efetuar as nossas escolhas, tendo sempre em vista o bem comum.
Não há Planeta B!

A UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, é um organismo sem fins lucrativos, com a missão de promover a mobilidade elétrica. Conheça as Vantagens em ser nosso Associado.

Contactos
e-mail: geral@uve.pt
215 99 99 50 / 910 910 901
(dias úteis das 10:00 às 18:00)

"Para além da electricidade, é imprescindível considerar alternativas" - Teresa Ponce de Leão

“Para além da electricidade, é imprescindível considerar alternativas”

Teresa Ponce de Leão
Presidente do Conselho Diretivo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG)

Os transportes terrestres contribuem em cerca de 25% para a poluição do ar no mundo. A estes acresce ainda o transporte aéreo e marítimo. Com cerca de 30% de responsabilidade nas emissões poluentes, os transportes só contribuirão para a descarbonização se passarem a ser alimentados com energia produzida a partir de fontes renováveis. A electricidade verde é uma parte importante da solução, mas não resolve todas as necessidades de transporte, principalmente quando pensamos no longo curso.

Reduzir as emissões de CO2 no sector dos transportes não vai ser tarefa fácil. Vai exigir mudanças estruturais na mobilidade das pessoas e das mercadorias, quer em termos de energia, quer em termos de comportamentos. Isto vai exigir, para além de um mix alargado de fontes energéticas e de tecnologias, do uso mais eficiente, nomeadamente através da forte digitalização dos sistemas de transportes.

Esta constatação impõe que olhemos para a mobilidade sustentável de forma analítica e rigorosa. Em todo o mundo, a frota de veículos eléctricos (VE) atingiu os 5,1 milhões em 2018, representando um acréscimo de 2 milhões (40%) relativamente ao ano anterior. A China lidera o mercado, seguida pela Europa e pelos EUA, com a Noruega a liderar a cota de mercado, em termos percentuais. A Agência Internacional de Energia, através do New Policies Scenario, estima vendas de 23 milhões de VE, mas o Global EV Outlook 2020, no seu Sustainable Development Scenario, incorpora as metas do EV30@30, prevendo atingir 30% do mercado automóvel, em 2030, para veículos eléctricos em todos os modos, excepto veículos de duas rodas. Parece termos atingido o momentum.

Mas esta evolução está muito dependente de políticas coerentes, (1) estratégias para o desenvolvimento das infra-estruturas de carregamento adequadas, (2) incentivo à investigação e inovação, nomeadamente no apoio ao desenvolvimento estratégico da tecnologia das baterias em toda a cadeia de valor e ainda da evolução da tecnologia, criação de escala associada a reduções substanciais nos custos. Das key enabling technologies (KETs) fazem parte, por exemplo, os desenvolvimentos na disciplina da Química e Electroquímica aplicada à tecnologia das baterias e ao aumento da capacidade de produção. Acresce ainda a evolução na optimização do processo de produção de baterias com soluções mais simples e inovadoras, com novas arquitecturas.

A resposta do sector privado também é chave; a mudança que ganhou momentum está associada à oportunidade de negócio. Há investimento em toda a cadeia de valor, nos veículos ligeiros, nos postos de carregamento, também nos autocarros e nas baterias e ainda nos veículos autónomos, que poderão vir a revolucionar a forma como nos deslocamos. As empresas eléctricas, os operadores de estações de carregamento, o sector da inovação no hardware para instalações de carregamento são alguns dos intervenientes que têm dinamizado o sector. Já se fala de mercado de usados e de reconversão.

No desporto motorizado, os VE são uma realidade, um campo de ajuda ao avanço de tecnologias e com exemplos, muito bons, a nível nacional. No campeonato de Fórmula E, Félix da Costa sagrou-se campeão do mundo, com a EFACEC como parceira da equipa DS Techeetah.

A mobilidade eléctrica não tem retorno. No entanto nem todos os transportes têm, para já, condições para a electrificação e, como vimos no início, há que olhar para todos os vectores energéticos renováveis. Para além da electricidade, é imprescindível considerar alternativas, os biocombustíveis, os biogases e o hidrogénio.

Os objectivos ambiciosos que resultam do compromisso europeu obrigam a que o mix energético seja uma realidade; isto não significa mais do que integrar, de forma optimizada, várias fontes. Temos de utilizar todas as fontes e eficiência energética para substituir os combustíveis fósseis com propósito, avaliar toda a cadeia de valor para que as decisões sejam esclarecidas e impulsionadas por medidas de política coerentes.

Com o desenvolvimento de eletrolisadores, o hidrogénio surge com enorme potencial para dar ao sistema a necessária flexibilidade que permite a penetração de renováveis em larga escala, uma vez que tem potencial para ser armazenado e poderá depois ser utlizado para usos diversos, transporte terrestre, aéreo e marítimo, indústria, edifícios e para produção de electricidade e injecção no sistema eléctrico, quando as renováveis não estão lá.

Em suma, a mobilidade sustentável implica trazer inteligência ao sistema, fazer escolhas certas em função dos usos e ser regulada por políticas coerentes baseadas no conhecimento.

Este texto, por opção da autora, não foi escrito de acordo com as regras do novo A.O.

Teresa Ponce de Leão é Doutorada em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Universidade do Porto (FEUP), docente da FEUP e Investigadora Sénior do INESC TEC, Porto. 
Presidente do Conselho Diretivo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) desde 2009. 
Vice-Presidente de Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) (2004-2009).
Vice-Presidente da Agência de Energia, ADENE (2011-2016) e membro não executivo do CA desde 1 de Agosto.
Presidente do EuroGeoSurveys (2016-2018.
Presidente do Conselho de Administração da Associação Portuguesa de Veículos Elétricos desde 2016.
Membro fundador da European Energy Research Aliance (EERA) e membro do Comitê Executivo.
Vice-Presidente da European Sustainable Energy Innovation Alliance (eseia). 
Representante nacional no Committee of Energy Research and Technology da Agência Internacional de Energia.
Membro e relator do Grupo Consultivo para Educação e Ensino em Energia. 
Membro do Grupo Consultivo do Roteiro Integrado H2020 e H2020 sobre as infraestruturas de investigação, incluindo e-infraestruturas.
Membro do Conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho.
Membro do EU High Level Group of European Innovation Partnership on Raw Materials (até 2018).
Vice-Presidente do Expert Group on Resource Management of United Nations.

Voz ao Utilizador: Henrique Sánchez (Parte I)

Voz ao Utilizador: Henrique Sánchez (Parte I)

O Green Future AutoMagazine esteve à conversa com Henrique Sánchez, um dos pioneiros da mobilidade elétrica em Portugal e Presidente do Conselho Diretivo da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE).

Nesta primeira parte, fique a conhecer como a mobilidade suave entrou na vida do nosso convidado e conheça algumas das suas histórias com veículos elétricos.

País Conectado - Stefan Carsten

Zonas rurais conectadas

Opinião de Stefan Carsten

Será que o futuro da mobilidade será realmente decidido nas cidades? Na União Europeia, 39% da população vive em cidades, 31% nos subúrbios e 29% em zonas rurais. Nestas últimas, as distâncias são maiores e estão a tornar-se ainda mais longas. O principal meio de transporte é o automóvel, e quanto mais pequena é a localidade, maior a frequência de utilização do carro como meio de transporte. Nas zonas rurais, registam-se mais mortes de pessoas em acidentes rodoviários do que nas áreas urbanas. Os trabalhadores estão particularmente dependentes do carro. As distâncias médias para os locais de trabalho aumentam anualmente. A pegada ecológica é maior nas zonas rurais do que nas cidades. Devemos olhar mais de perto para as zonas rurais e para a mobilidade rural.

A mobilidade nas zonas rurais está a crescer, existindo diversas razões para isso:

1. Novos clientes: uma nova geração de pessoas das zonas rurais que desenvolve espaços inovadores e criativos.

2. Novas energias: as energias eólica e solar estão a revelar-se catalisadores de uma mobilidade nova e limpa.

3. Trabalho remoto: a pandemia do coronavírus e as possibilidades do trabalho remoto estão a abrir opções de trabalho e lazer inteiramente novas.

4. As Tecnologias de Informação como facilitadoras: serviços e infraestruturas de TI maduras facilitam a entrada no mercado de serviços e prestadores de mobilidade on-demand

Os serviços partilhados tornam-se a norma

Atualmente, a grande maioria dos prestadores de serviços de mobilidade partilhada limitam a sua oferta às áreas urbanas. Os fornecedores de plataformas de partilha, como por exemplo a Vulog, a Wunder Mobility, a Moqo ou a Better Mobility, são suporte para novos intervenientes da mobilidade rural, ao disponibilizarem soluções chave-na-mão para startups, cidades e municípios, ou empresas – tanto para pequenas como para grandes frotas. As suas estruturas, assim como o seu conhecimento sobre um novo papel para a mobilidade, alteram a oferta espacial. Isto reduz significativamente as barreiras à entrada de serviços on-demand, uma vez que os recém-chegados ao mercado não têm de desenvolver software complexo internamente, mas podem, ao invés, adquiri-lo como um serviço. Simultaneamente, são veículos de conhecimento e promotores de novos conceitos: o que funciona, onde e porquê? Precisamos de sistemas de carsharing ou ride pooling estacionários? Com quantos e, acima de tudo, com que veículos? Quais as soluções de gestão de frotas necessárias? A interface do utilizador é apenas a aplicação móvel ou é também necessária uma linha telefónica?

A partilha torna-se uma promessa de sustentabilidade

Paralelamente ao carsharing [aluguer individual de curta duração], os conceitos de ride pooling [partilha de veículos] são considerados como tendo grande importância para o futuro, além dos serviços de transportes públicos existentes. Foram analisadas 1,8 milhões de viagens do serviço de ride pooling Clevershuttle, no ano de 2019:

– cerca de 50% das viagens foram realmente viagens partilhadas

– cerca de metade dos utilizadores têm entre 20 e 34 anos.

– mais de 35% dos utilizadores não tem outra forma de acesso a um veículo

– a Clevershuttle é utilizada por causa do preço e da grande conveniência do serviço porta-a-porta, de acordo com quase 50% dos inquiridos

– cerca de 10% teriam usado o seu próprio automóvel, se o serviço não estivesse implementado

– 45% dos inquiridos que têm um carro no seu agregado familiar considerariam substitui-lo pelo serviço Clevershuttle

Veículos Clevershuttle

O Omobi é um serviço on-demand para a utilização partilhada de transporte rural. As viagens podem ser reservadas pelo smartphone ou até mesmo por chamada telefónica. A procura por este tipo de serviço está a crescer, mesmo não tendo os turistas a suportá-la (em tempo de coronavírus). As famílias utilizam o serviço de ride pooling como ’táxis parentais’ para levarem as crianças às suas atividades da tarde. Subitamente, as empresas têm uma alternativa fiável ao automóvel que está disponível independentemente do horário. Atualmente, as administrações locais estão a utilizá-la para viagens de negócios, pagando 2 euros pelo serviço, independentemente da duração da viagem dentro da área de cobertura e dos quilómetros percorridos. E ainda que, no início, o serviço seja pequeno, os municípios vizinhos mostram rapidamente interesse em serem integrados no sistema. Estando o serviço efetivamente implementando, usá-lo é mais fácil, mais barato e mais conveniente.

Estações de carsharing para a comunidade rural

Cada vez mais comunidades rurais estão a criar os seus próprios conceitos de car sharing. Com um valor compreendido entre 2,5 e 5 euros por hora, os utilizadores podem utilizar os automóveis para irem às compras, tratarem de assuntos na comunidade ou explorarem as atrações turísticas. Normalmente, um carro por aldeia é suficiente para satisfazer as necessidades. A eletricidade para os veículos elétricos é, usualmente, fornecida por energia eólica ou solar gerada localmente e é gratuita para os utilizadores. Desta forma, novos conceitos de eletromobilidade são introduzidos na periferia e, simultaneamente, inicia-se a consciencialização local para os processos de mudança.

O regresso do comboio

Apesar dos provedores de serviços ferroviários estarem a retirar-se das zonas rurais em toda a Europa, ainda existe esperança. Uma vez que os comboios ‘normais’ são grandes, demasiado caros e não têm flexibilidade suficiente para satisfazerem as necessidades – isto é, não existem soluções economicamente viáveis para os caminhos-de-ferro – as startups estão a encontrar abordagens inteiramente novas. Oferecem shuttles ferroviárias leves, autónomos e alimentados por baterias em áreas onde os conceitos convencionais não são economicamente eficientes. A grande vantagem destes pequenos meios: em linhas ferroviárias de via única, duas monocabinas autónomas podem funcionar de forma simultânea em ambos os sentidos, reforçando assim o transporte ferroviário de passageiros, especialmente nas zonas rurais. Devido ao seu pequeno tamanho e tecnologia a bateria, os shuttles consomem pouca energia. Em combinação com a autonomia, são cerca de dez vezes mais económicos do que qualquer outra alternativa. O último quilómetro (da estação até à porta de casa) é então assegurado por autocarros (autónomos) ou por serviços de ride pooling.

MonoCab (design do conceito: Ilja Nowodworski)

Conclusão

Se os políticos, bem como os empreendedores e a comunidade pretendem trazer uma mudança à mobilidade rural, são necessários novos serviços baseados na conectividade, flexibilidade e relação custo-eficácia. E os prestadores de serviços precisam, igualmente, de apoio que vá para além de software e hardware. São necessários líderes com pensamento criativo, iniciativas locais e cenários de utilização que sejam transferíveis entre comunidades de caraterísticas comparáveis. Tudo isto já existe e novas manifestações emergem diariamente. Será desta forma que as zonas rurais serão mobilizadas e os novos serviços de mobilidade deixarão de ser um exclusivo dos habitantes das cidades. 

Minuto AutoMagazine: Peugeot e-2008 GT Line

Minuto AutoMagazine: Peugeot e-2008 GT Line

Ensaiámos o Peugeot e-2008 GT Line, um dos SUV elétricos mais acessíveis do mercado.

Peugeot e-2008 GT Line:

Bateria: 50 kWh

Autonomia (WLTP): 320 km

Potência: 100 kW (136 cavalos); 260 Nm

Desempenho (0-100 km/h): 8,5 segundos 

Velocidade máxima: 150 km/h

Tração: FWD 

Carregamento: 
7,4 kW AC (doméstico): 7h15 (100%)
11 kW AC: 5 horas (100%)
100 kW DC (rápido): 30 minutos (80%)

Bagageira: 405 litros

Preço: desde 37.190 €